a senhora que se segue: Alexandra Borges

Foto Cores
Alexandra Borges

Alexandra Borges, jornalista que passou pela CNN, TV Globo, TVE e RTP é uma das mais reputadas repórteres portuguesas, estando há vários anos na TVI. Já ganhou os mais prestigiantes prémios de jornalismo português e também no estrangeiro. Nasceu em Lisboa, mas foi em Beja que viveu a sua infância e parte da adolescência, até rumar à capital para se licenciar, na Universidade Nova de Lisboa, em Comunicação Social. Fundou o projeto “Filhos do Coração”, sendo um importante rosto de uma campanha internacional contra a escravatura infantil.
Alexandra Borges, que assina atualmente um programa de investigação da TVI (terças feiras à noite), é a nossa primeira entrevistada.

logoM Tem a vida que idealizava?
Idealizei ser feliz e sentir-me realizada com aquilo que faço e consegui isso. Hoje alerto os meus filhos para procurarem profissões com as quais se identifiquem e se realizem. Trabalhar passa a ser um divertimento.

logoMA intervenção na sociedade deve ser uma preocupação de todos?
Sem dúvida. Temos que exercer os nossos direitos de cidadãos. Nós temos o país que merecemos e se não formos cidadãos conscientes, isso reflete-se na sociedade que ajudaremos a construir.

logoMNo seu caso como a pratica?
Tenho o privilégio de exercer essa cidadania no tipo de jornalismo que assino mas faço-o todos os dias enquanto cidadã.

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar?
É difícil. Eu tenho algumas ajudas mas a maioria das mulheres são umas heroínas. Pedem-nos para sermos supermulheres. Conseguimos sacrificando, quase sempre, o tempo que dedicamos a nós próprias.

logoMNa sua vida existe equilíbrio entre a vida profissional e familiar?
Na minha vida o lado profissional tem um grande peso porque adoro aquilo que faço e faz parte do meu ADN. Estou atenta aos meus filhos mas, agora que eles estão crescidos e querem gerir as suas vidas, posso dar-me ao luxo de ter mais tempo para o jornalismo.

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?
Claro que sim. Engravidei de gémeos. Tive uma gravidez de alto risco que me afastou do trabalho quase um ano e meio. Em televisão um ano e meio é muito tempo e pode perder-se muito.

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?
Não sei se isso define todas as mulheres mas, sem dúvida, define-me a mim. Eu preciso muito de fazer introspeção e normalmente isolo-me.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?
Que deixe de ser algo assegurado por lei. Quando é necessário passar essa ideia para a legislação é porque as mentalidades ainda não interiorizaram genuinamente a ideia.

logoMComo podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?
A melhor forma é sendo profissionais e fazendo valer o seu valor. Por outro lado, é importante recusar leis positivamente discriminatórias. As leis têm que ser naturais.

logoMQual é o seu maior sonho?
Ser feliz.

Assista ao vídeo: Alexandra Borges