excorgitações

feminista: ser ou não ser, não é a questão

Irrita-me esta coisa de ser feminista. Sempre me pareceu que era coisa de gajas. Há mais anos do que gosto de lembrar, fui a um jantar do Dia da Mulher seguido de uma noite numa discoteca em Cascais onde uma dúzia de sebosos fazia strip tease. E, duas décadas depois, recordo hoje esta triste história, escondida no silêncio da intimidade da blogosfera, ainda vestida de vergonha alheia. Porque aquilo que vi naquela fatídica noite não eram mulheres: eram umas gajas. Gritos histéricos, roupas ridículas, bebedeiras de pitas e todo um folclore que me provocou vómitos físicos. Pelo que, nunca mais ninguém me conseguiu arrastar de casa nessa patética efeméride.

Mais tarde, na minha dialética profissional, comecei a ser carimbada com o epíteto de feminista, invariavelmente zurzido com a soberba ignorante de alguns gajos com quem me cruzei profissionalmente (e, uma ou outra vez, envergonhada confesso, também na minha intimidade pessoal). E, apesar de nunca ter assumido o cognome, este ficou colado em mim. Porque, aparentemente, ser feminista significa defender coisas absurdas como as mulheres terem o mesmo ordenado que os homens,  as mesmas oportunidades profissionais, o direito a usar um decote sem ter os olhos de um tarado lá dentro, sair com as amigas, não ter de fazer o jantar todos os dias, ter um companheiro com dimensão intelectual que lhe permita usar a máquina de lavar roupa e ter um terço da liberdade sexual que a nossa sociedade reconhece aos homens.

Pelo que, depois de anos e anos a pensar que era uma mulher absolutamente normal que defendia trivialidades óbvias, começo a intuir que provavelmente seja uma horrenda feminista, carente de um gajo que a coloque no seu devido lugar, seja lá isso onde for. Até ver, este o lugar é este blogue…

Sofia