Os fins e os meios

idos de maio

Sónia Calvário

No mês de maio celebrou-se a família (dia 15). Apesar das transformações sofridas ao longo dos tempos, a família continua a ser o grupo social de referência, o primeiro socializante, no qual, a par da segurança, são, ou deveriam ser, promovidos valores e relações de identidade.

Nos últimos meses, quase que diariamente, temos sido confrontados com notícias de favorecimentos a familiares, em órgãos e instituições do Estado. Vergonhosamente, e ainda que, grande parte das vezes, de forma legal, colocam-se pessoas da família, biológica ou político-partidária, em cargos e lugares chaves, potenciando-se o Estado-Polvo, iniciado no tempo do governo de José Sócrates. Se vamos sabendo do alcance de alguns dos tentáculos, outros vão alastrando…é conhecida a inteligência e a capacidade de camuflagem destes moluscos.

Crescente é também a contestação e a indignação popular, manifestada por vários meios. Contudo, a grande maioria preferiu ficar acomodada e não votar nas eleições ao Parlamento Europeu (PE). Certamente por não as considerar importantes, ou por não conseguir descortinar, dos debates televisivos, que matérias são decididas na União Europeia com verdadeiro impacto para as suas vidas…

A vitória do Partido Socialista foi fruto da melhoria das condições de vida dos portugueses, que não seria alcançada se não fosse a geringonça parlamentar existente desde 2015. Por outro lado, não foi alheio, ao resultado obtido, a ida às urnas da família partidária, cumprindo, e bem, o seu dever cívico e, no caso dos militante, o seu dever estatutário.

A “surpresa” do ato eleitoral em Portugal foi o PAN – Pessoas, Animais e Natureza. No que respeita aos grandes temas de interesse para as eleições em causa: migração, agricultura e pescas, soberania nacional em matéria fiscal, monetária, de defesa e segurança o PAN apresenta propostas vagas, semelhantes a de outros partidos, nomeadamente da esquerda, ou simplesmente inexistentes (como é o caso da moeda única, das quotas piscatórias e agrícolas, excetuando o fim de apoios à produção da carne e dos laticínios), o que torna difícil perceber realmente o que defende, designadamente por não se terem debatido, com alguma profundidade, estes temas e porque as candidaturas sem eleitos no PE não tiveram o mesmo destaque na comunicação social. Acresce que não ficou explicada a ligação do PAN ao IRA – Intervenção e Resgate Animal que, pelos que se viu em algumas reportagens televisivas, recorre a meios verdadeiramente terroristas, típicos da extrema-direita europeia, para atingir os seus fins.

É premente discutir abertamente sobre o rumo que queremos dar à sociedade, pelo que o Encontro sobre Ética e Política, promovido pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, amanhã, no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, e em direto (aceda à página aqui), poderá ser um contributo importante.

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