Mulheres

à primeira segunda do mês

Ana Matos Pires

Estava eu aqui com os meus pensamentos e, a propósito de nada, lembrei-me de uma conversa recente durante um jantar em casa de amigos bejenses. Disse eu ao F “não há mulheres presidentes de câmara no NUT III-Baixo Alentejo”. O F parou uns segundos para pensar e respondeu, com um ar entre o espantado e o  “pois não (e encolher de ombros)”

A representatividade das mulheres na política no Baixo Alentejo é um assunto que merece, e deve, ser pensado e falado.

Olhemos, então, para o poder autárquico.

Aos pesquisar sobre o assunto esbarrei com uma peça jornalística intitulada “O Baixo Alentejo nunca elegeu uma mulher como presidente da câmara”. No corpo da notícia pode ler-se “(…) No distrito de Beja elas figuram na composição das listas, destacam-se nos outdoors, são retratadas quase sempre risonhas, mas só os lugares da vereação estão ao seu alcance (…)”.  O  trabalho foi feito há… seis anos – é de outubro de 2013. Seis anos depois e nada se passou, tudo igual, igualzinho.

Outro dado de pesquisa que, seguramente, ajuda a explicar isto: desta feita procurei por “lutas femininas no baixo alentejo”. Levou-me até a uma notícia do jornal Tribuna Alentejo sobre as comemorações do Dia Internacional da Mulher no Alentejo, em 2015. Muitas “flores e bombons”, aulas “de ginástica localizada”, “matiné dançante” e jantares e, depois, lá ficam elas bonitinhas nos outdoors.

Não dá para fazer de conta que isto não existe, no Baixo Alentejo existem mulheres fantásticas, capazes e inteligentes. Se o Baixo Alentejo se pode queixar do abandono a que está devotado, com carências graves nas acessibilidades e nos investimentos públicos, estas desigualdades – sim, também falamos de um marcador de desigualdades – dependem mais de mudanças dentro da região que da ação do poder central.

Que tal a 8 de março de 2020 os municípios do Baixo Alentejo promoverem, em conjunto, um grande debate sobre a participação das mulheres no poder autárquico, com a elaboração de um memorando a executar num período de cinco anos? Deixo a sugestão.

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