Jéssica Silva no pódio

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Jéssica Silva nasceu a 11/12/1994, e é natural de Vila Nova de Milfontes, concelho de Odemira (Beja), onde viveu até aos 8 anos, altura em que a família rumou a Águeda (Aveiro), onde se estabeleceu.

Praticou futsal e atletismo, pelo desporto escolar, e iniciou-se no futebol num clube local, o Ferreirense, tendo sido logo chamada à Seleção Nacional, com a primeira internacionalização a 16 de Agosto de 2010; federou-se, na época 2011/12, no Albergaria, clube pelo qual nutre um carinho especial. Passou pelo Linkoping FC, na Suécia, pelo Sporting de Braga, pelo espanhol Levante e é atualmente atleta da equipa feminina do Lyon, tetracampeã europeia (com 6 títulos alcançados em 18), e pentacampeã francesa (10 títulos em 18), onde jogam as três atletas nomeadas para melhor jogadora da UEFA.

Pensou em continuar os estudos, nomeadamente em Desporto, mas a ida para o estrangeiro e a afirmação como profissional de futebol adiaram a pretensão. Não considera impossível a conciliação da frequência no ensino superior com as exigências da sua profissão, apesar de difícil, pelo que pretende ainda licenciar-se em Marketing e Comunicação, uma área que, descobriu, gostar muito.

É uma das nomeadas a Jogadora do Ano, cujas votações decorrem até ao próximo dia 23, sendo a vencedora conhecida na Gala “Quinas de Ouro”, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol, que terá lugar no Pavilhão Carlos Lopes, no dia 2 de Setembro.

Doce no trato, de palavra e riso fáceis, Jéssica Silva está no pódio do Expoente M este mês.

logoMTem a vida que idealizava?

Só descobri que poderia ser profissional de futebol aos 14/15 anos quando me iniciei como atleta federada e fui chamada à Seleção. Acreditei e trabalhei nesse sentido. Faço o que gosto. Nem toda a gente tem essa oportunidade. Cheguei à melhor equipa do mundo e, naturalmente, surgem outros objetivos que pretendo cumprir.

logoMA intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

Sim, claro que sim; e quem atinge alguma notoriedade e mediatismo deve aproveitar a visibilidade para transmitir coisas boas. Pessoalmente, também fruto da forma como fui educada, com valores, tento transmitir boas energias e abordar causas em que acredito. Como modelo para raparigas, e também rapazes, tento ser ativa, ser construtiva, não compactuar com coisas más e negativas; tento dar voz às mulheres, em especial à mulher no desporto. Para mim é fácil porque é a minha forma de estar na vida, trata-se apenas de o transmitir na esfera pública e sempre que surgem as oportunidades.

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional/desportiva e familiar/profissional?

Em geral penso que depende muito das profissões. Há pessoas que trabalham muitas horas, acumulam trabalhos e, muitas, não gostam do que fazem. Claro que se tiverem a família junto de si apazigua as dificuldades, pode tornar a conciliação da vida profissional e familiar menos difícil. No desporto não é particularmente fácil.

logoMNa sua vida existe equilíbrio entre essas várias áreas da sua vida?

No princípio não foi fácil. Deixar a minha mãe e os meus irmãos, numa altura em que estávamos numa fase delicada, custou-me muito. Fui, aos 19 anos, para a Suécia e as coisas não correram muito bem. Fui sempre uma rapariga muito amiga de casa (ao contrário da minha irmã gémea – risos) e ligada à minha mãe. Foi um período difícil mas que me amadureceu: tive a noção dos sacrifícios que tinha de fazer para continuar a ser profissional de futebol. Com os homens é mais fácil, pois levam a família, são-lhes dadas essas condições. Mas mesmo assim, e como dizia Di Maria numa entrevista que li há pouco tempo: as pessoas não têm noção do que abdicamos, apesar de ser em prol de algo que adoramos – jogar futebol e viver profissionalmente dele.

Hoje tenho mecanismos que tornam a distância física do namorado, da família e dos amigos, mais fácil: o recurso às tecnologias e a capacidade de não depender tanto deles. Cresci. Claro que não posso ir à festa de aniversário ou ao casamento de algum amigo especial, nem estar tão presente na vida dos meus cinco irmãos, como gostaria. Difícil é também não deixar transparecer‑lhes tristeza, pois eles conhecem-me bem e descobrem facilmente…quando falo muito, mais do que o habitual (risos), detetam logo que não estou bem. Mas no verão matam-se as saudades. Que são muitas.

Portanto, na minha vida vai existindo esse equilíbrio: mantenho-me focada no meu objetivo profissional, socorro-me das tecnologias para matar saudades e nas férias é aproveitar ao máximo a companhia da família.

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

Em geral penso que as mulheres são desvalorizadas e o desporto não é exceção.

logoME como atleta, sente, ou já sentiu, dificuldade na sua afirmação e/ou na compatibilização com a vida profissional e familiar?

Como atleta de futebol senti isso. Por exemplo quando jogava no Albergaria, clube pelo qual sinto uma enorme gratidão, portanto na primeira divisão, treinávamos até tarde, porque o campo estava afeto à equipa masculina, outras vezes, quando os jogos coincidiam, tínhamos de ir para outro campo porque o jogo da equipa masculina era prioritário; os balneários, por exemplo nas equipas mistas (as miúdas hoje podem jogar com os rapazes até ao juvenis), são um problema, porque as instalações não estão preparadas. Essa é a realidade do futebol do país. Quanto a esta questão em particular não me posso queixar, porque joguei sempre em equipas femininas; cheguei a treinar com rapazes, na Escola de Futebol Hernâni Gonçalves, o que muito me ajudou, mas era tratada como uma princesa.

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

Bem, isso depende da personalidade de cada uma. Mas, em geral, gostamos de falar e partilhamos muita coisa. Empoderamo-nos umas às outras, o que é importante. No Desporto partilhamos muito e somos unidas.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade? Como podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

Temos que ser mais ativas, mostrar que somos boas e que nos valorizamos. As mulheres são super desvalorizadas, e não é só no desporto. Há que aproveitar esta onda em que tanto se fala da igualdade, ou da falta dela, para darmos voz umas às outras. Como diz a Catarina Furtado: “Apoiar uma mulher é apoiar uma Nação”. Este mundo não é a mesma coisa sem nós, sem a nossa verdadeira intervenção.

No Futebol têm sido dados passos importantes e penso que o trabalho da FPF, nomeadamente agora com o canal televisivo, contribui de forma importante para essa valorização da mulher no futebol.

logoMQual é o seu maior sonho?

Sonhar é uma palavra muito especial. Tenho sonhos que acabam por traduzir‑se nos objetivos que vou traçando e que, alcançados, vão se transformando noutros. Mas, O Sonho… gostaria muito de vir a ser uma referência internacional, como atleta. Mais do que ganhar bolas de ouro, ser reconhecida internacionalmente. Sei que em Portugal já sou valorizada, mas gostaria de deixar marca no futebol mundial, fazer algo especial, com impacto para as pessoas, para as mulheres, para o desporto, para o futebol.

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