gajas de saltos altos

excorgitações

Sofia

nunca fui gaja para andar com um rebanho de amigas. e, desculpem-me a frontalidade, mas sempre que vejo uma manada de pindéricas numa qualquer festinha fico sempre com a sensação que vai dar trampa (tinha escrito merda, mas optei por um eufemismo, para não melindrar a sónia).

fui adolescente de poucas amigas e na idade adulta apenas retive as minhas pessoas. cinco ou seis amigos que escondiam um cadáver por mim e juravam em tribunal a minha absoluta inocência. que passam semanas e meses sem dizer um olá mas correm para mim ao primeiro suspiro de necessidade. que podem não ter estado presentes nos momentos felizes mas sempre me ampararam as lágrimas. até aquelas que não consegui chorar.

não que seja antissocial ou abomine pessoas: claro que, muitas vezes, partilhei espaço e momentos com pessoas de circunstâncias, fui a eventos com gente a quem jamais abriria a porta da minha casa e, não raramente, até passei bons momentos com elas. pessoas com quem um dia na vida me cruzei e com quem ri ou até chorei. como, também sou muito gaja e, porque detesto a perfeição, amiúde dou por mim a comentar criticamente um vestido, um corte de cabelo, os sapatos de uma amiga ou mesmo a pila do namorado de uma conhecida.

mas com recato: porque gaja que seja mulher, ou mesmo gaja, não vem para as redes sociais vomitar ressabiamentos.
queridas leitoras, saltos altos não são uma espécie de calçado que faz o cuzinho mais bonito: é uma forma de (se) estar na vida…

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