A IMPORTÂNCIA DO TREINADOR DESPORTIVO – Parte I

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ars athletica

Sara Mesquita

Muito se tem falado nas qualificações dos treinadores de futebol e nas diferentes sanções aplicadas aos treinadores que disputem competições da Liga ou da Federação.

Mas antes de debatermos esses temas, convém analisar esta figura do treinador desportivo.

O  treinador desportivo assume uma importância crucial no desporto tanto individual como coletivo, na medida em que é a este quem cabe a orientação dos praticantes desportivos, o treino, a observação das condições que cada um reúne em cada momento, a análise das competências de cada praticante desportivo individualmente e a promoção do trabalho em equipa, diligenciando sempre pelo sucesso individual de cada um.

Quando treina crianças e jovens, assume também um importante papel social, cabendo-lhe a função de lhes incutir valores e atitudes que se repercutem na sua vida pessoal, na escola e mesmo em casa.

Mesmo com as dimensões que a figura do treinador desportivo tem vindo a assumir na realidade do espetáculo desportivo, o legislador tem preferido não se debruçar sobre esta matéria. Nos últimos dois anos a legislação desportiva tem vindo a sofrer algumas alterações, insuficientes, contudo, mantendo-se a figura do treinador uma figura híbrida no ordenamento português.

Há matérias sensíveis para o eleitorado em que nenhum governo se quer meter. No entanto, as grandes reformas na legislação desportiva costumam surgir nos segundos mandatos de um governo. Ficaremos a aguardar!

A intervenção variada do treinador desportivo requer conhecimentos de diversas áreas científicas, e não apenas técnicas, como por exemplo a biologia, a biomecânica e a anatomia.

A atitude que um treinador apresenta em cada treino ou competição, o seu entusiasmo, dinâmica, a sua disciplina, são elementos tão fundamentais para o sucesso da atividade, como o ensino técnico e tático.

Existem até alguns autores que fazem uma analogia do treinador desportivo a um maestro de uma orquestra, na medida em que desempenha variadas funções e que, apesar de transmitir aos praticantes desportivos o ensinamento técnico e tático, o treinador assume um papel de gestor no planeamento dos treinos, na avaliação das falhas, dificuldades e competências de cada praticante desportivo, tendo que, nos desportos coletivos, tal como o maestro, coordenar uma equipa onde cada praticante desportivo tem as suas características, as quais o treinador desportivo deve conhecer, avaliando-os a fim de alcançar os objetivos da competição.

Podemos concluir que os treinadores desportivos são mais do que meros conhecedores das disciplinas das ciências do desporto e do conhecimento técnico e tático de cada modalidade, são também uma figura importante nas áreas sociais e humanas na relação com os seus praticantes desportivos, especialmente em idade de formação, mas não só.

O treinador desportivo tem diversas funções neste campo, como seja a motivação e a escolha da melhor forma para que os seus atletas atinjam os objetivos quer particulares, quer de grupo, no âmbito dos desportos coletivos. Só reunindo todas estas capacidades, se torna eficaz o alcance da excelência desportiva dos atletas e dos clubes que estes representam.

A Lei n.º 40/2012, de 28 de Agosto, recentemente alterada pela Lei nº 106/2019 de 06 de Setembro de 2019, estabelece o regime de acesso e exercício da atividade de treinador desportivo, exigindo a obtenção de um título profissional para exercício da atividade de treinador.

O título profissional é atribuído ao treinador desportivo consoante o nível de exercício da profissão em que este se encontra, e que pode variar entre o Grau I e o Grau IV, assumindo cada nível diferentes competências ao titular das Cédulas de Treinador Desportivo, correspondendo a um grau de exigência, técnica e conhecimento próprios, sendo o Grau IV, o mais completo.

E quais são, afinal, as consequências que podem advir do facto de um treinador exercer a sua atividade sem ser detentor do título exigido?

A resposta a esta pergunta, através da análise de alguns casos concretos, fica para a Parte II, em Novembro!!

Mulheres com garra também fazem esperar…

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