a senhora que se segue: Francisca Guerreiro

64391517_2482447841800818_6489795884627263488_nMaria Francisca Fernandes das Dores Guerreiro nasceu em França, na cidade de Chateauroux, em 19/06/1971 e vive em Beja desde os 8 anos de idade.

É Psicóloga, membro Efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Especialista em Psicologia da Educação e Psicologia do Trabalho, Social e das Organizações, com uma especialidade avançada em Necessidades Educativas Especiais, tem Mestrado Integrado em Psicologia da Educação e Mestrado em Psicologia da Saúde. Pós-graduou-se em Psicoterapia da Criança e do Adolescente e em Psicomotricidade e está atualmente a terminar a Especialidade Avançada em Terapia Familiar e do Casal.

Como Psicóloga já trabalhou em Gabinetes privados, em escolas públicas e profissionais, e na formação profissional. Atualmente, Francisca Guerreiro é Diretora Técnica do Lar Residencial do Centro de Paralisia Cerebral de Beja e Presidente da Direção da instituição e é a senhora que se segue no Expoente M.

logoM Tem a vida que idealizava?

Quando penso na resposta a esta questão sou levada a uma frase de Luís Fernando Veríssimo que dizia: “Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas.”

Nem sempre é fácil ter-se a vida que se idealiza…Os nossos objetivos vão sendo traçados e, por vezes, a vida leva-nos para outros caminhos; no entanto, agradeço todos os caminhos que tenho percorrido, pois não seria a pessoa que sou hoje sem algumas rasteiras que a vida me tem pregado.

Tenho a vida que desejo… Dificilmente idealizo a vida a longo prazo …

A minha vida tem sido planeada de acordo com as circunstâncias e principalmente com os objetivos que vou estabelecendo para mim mesma.

A nível profissional, pensando bem, sim tenho a vida que vou idealizando… Porque os nossos ideais também vão alterando com as nossas vivências.

A nível pessoal tenho a vida que idealizo? Sim. Faço por isso diariamente. Sinto-me claramente mais insegura a nível pessoal, nesta questão, pois atualmente, ao longo do meu caminho, com as aprendizagens que a vida me tem oferecido idealizo ter mais… Mais Eu, mais família, mais amigos, mais viagens…

Tanto a nível profissional, como pessoal, traço objetivos. Tenho muita dificuldade em desistir deles e, geralmente, concretizo-os.

Enfim, a vida foi-me abrindo vários caminhos e orgulho-me de ter escolhido a maioria dos que percorri. Hoje, sinto que tenho a vida que idealizei! Amanhã não sei, pois isso depende de vários fatores, que, por vezes, não dependem de mim.

logoM A intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

Sem dúvida! É fundamental para a sociedade!

Todos temos de intervir e participar. Todos devemos ter esta preocupação! Por exemplo, sem esta preocupação as nossas associações não teriam futuro e elas são fundamentais para o nosso país. Melhor, e reformulando: sem essa ação dos cidadãos as nossas associações não existiriam.

Penso que, cada vez mais, é muito importante que os cidadãos se sintam parte integrante da sociedade, cada um com as suas características, capacidades e incapacidades. Só assim poderemos construir uma cidadania ativa de todos. Devemos (in)formar cidadãos para os seus direitos e para os seus deveres, pois a intervenção/participação na sociedade é, sem dúvida, um direito e um dever de qualquer um de nós.

logoM No seu caso como a pratica?

Considero que sempre a pratiquei, ao longo da minha vida. Sempre tentei estar informada para poder escolher a minha “posição”. Sempre tentei emitir a minha opinião e respeitar as opiniões dos outros. Tenho‑me envolvido em questões relacionadas com o bem comum, nomeadamente em associações e na política; envolvimento esse sempre com uma postura de pensar o todo e o interesse máximo da missão a cumprir, nunca de uma forma virada para os meus interesses individuais, nem para os interesses individuais de algumas pessoas. Há 7 anos, por exemplo, que faço parte dos Órgãos Dirigentes do Centro de Paralisia Cerebral de Beja, em regime de voluntariado

Isto sem dúvida é um dos meus ideais de longa data – o meu dever cívico – o contribuir para a sociedade. Sublinhando também que o sinto igualmente como um direito.

Para mim a vida nem faria sentido se não contribuísse. Sinto que tenho feito a minha parte. Tenho a certeza que continuarei a fazê-lo toda a vida!

Lembro-me de uma história que me foi contada no ensino superior por um grande Professor, que não resisto em contar aqui, porque acho que isso é que me despertou para fazer a minha parte: “Certo dia, houve um grande incêndio na floresta, e tudo estava cercado por fogo. Os animais, aflitos, não sabiam o que fazer e nem para onde correr. De repente, todos pararam e viram que o beija‑flor ia à margem do rio, mergulhava, e com o seu pequeno bico tirava algumas gotas de água, voava até ao fogo e deixava as gotinhas caírem sobre as chamas. O elefante, vendo aquilo, disse-lhe: “Estás louco? Acreditas que estas simples gotas podem apagar um incêndio tão grande?”. E, de imediato o passarinho respondeu: “Estou a fazer a minha parte e se todos ajudarem com certeza conseguiremos alguma coisa”.

logoM Como vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar/social?

Difícil e exigente!

A sociedade atual exige a perfeição em todos os papéis que desempenhamos. Temos que ser boas profissionais, boas mães, boas esposas, boas amigas, temos que ter tempo para tudo e estarmos sempre linda e maravilhosas. Enfim a mulher atual tem que ser perfeita!

O facto de ter falado no feminino é propositado, pois acho e sinto que ainda se exige maior perfeição e menor erro às mulheres.

As mulheres de hoje têm que gerir a discrepância entre o que lhe foi transmitido por gerações anteriores (avós, mãe…) e aquilo que a sociedade hoje lhe exige. Vivo esta tentativa de conciliação diariamente e não é nada fácil. Há dias em que até penso “Não é possível.” Por vezes descuramos alguns papéis da nossa vida e centramo-nos noutros, no entanto, na maioria das vezes, tentamos estar em todos, e em pleno.

Considero que a mulher atual é uma Super Mulher! Um ser incrível que se tem vindo a afirmar com o seu esforço e trabalho.

logoM Na sua vida existe equilíbrio entre a vida profissional e familiar/social?

Hum… Não é fácil responder a esta questão…

Considerando que o voluntariado que realizo faz parte da minha vida profissional, admito que esta, atualmente, não me permite ter uma vida familiar/social muito “tranquila”. Tenho consciência de que a minha vida profissional consome, diariamente, 12 a 14 horas… obedecendo à necessidade de dormir pelo menos 6h por dia (pois não é possível deixar de o fazer), verifico que me sobra muito pouco para a minha família e amigos. Sinto, no entanto, que estou “a fazer a minha parte”.

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

Sim, claramente!

A mulher ao longo dos tempos tem vindo a afirmar-se e a conquistar os seus direitos na sociedade, no entanto ainda, por vezes pagamos a fatura do que foi há algumas gerações atrás.

Ora veja, por exemplo, as IPSS são geralmente constituídas por uma maioria de mulheres nas suas equipas, no entanto, na maioria dos casos, o presidente da direção é um homem. As câmaras municipais, outro exemplo, quantas presidentes de câmara existem no nosso país? A perceção que tenho é que na maioria das equipas das autarquias há uma mulher (vereadora) que não é a vice-presidente… talvez se não existissem quotas nem essa mulher integraria a equipa.

Voltando ao meu caso: já o senti em reuniões onde estão muitos homens e 1 a 2 mulheres, já o senti em momentos em que dei instruções a homens, já o senti em momentos de negociações… Até já o senti com as mulheres, que se estivessem a ser lideradas por um homem teriam outro tipo de reação.

Não posso, no entanto, deixar de sublinhar, que estas situações não acontecem diariamente e que claramente estão a ser cada vez mais esporádicas. As mentalidades estão a mudar e a mulher está, cada vez, a ser mais respeitada na sociedade.

logoM As mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

Nunca tinha pensado nisto…

Considerando que as mulheres são educadas para serem mães, são quase “formatadas” para serem protetoras, logo acho que as mulheres partilham pouco as suas dificuldades com a intenção proteger os outros. Quanto às suas alegrias e conquistas parece-me que partilham.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?

Tendo em conta o último século, verificam-se conquistas notórias, o que é para todas as mulheres um orgulho. No entanto considero que necessitamos de mais alguns anos, continuando a trabalhar e a afirmarmo-nos na ação de plena cidadania, cada vez com mais confiança, acreditando nas nossas capacidades, que já deram provas suficientes de que são enormes.

Penso que dentro de pouco tempo não existirá diferenças nos direitos à igualdade, mas também acredito que grande parte deste trabalho é nosso, das mulheres.

logoM Como podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

Continuarem a ser mulheres!

Participarem em pleno na cidadania, considerarem e exigirem os seus direitos e deveres.

Deu-me vontade de responder que devem continuar a provar que têm todas as capacidades necessárias para essa igualdade, no entanto verifico que isso não é correto, pois as provas já existem e elas já o provaram ao longo da sua existência.

Devem contribuir acreditando nelas próprias e nas suas potencialidades.

logoMQual é o seu maior sonho?

Vários!

Sabe que os sonhos vão alterando com o caminho que percorremos…

Neste momento o meu maior sonho é ter muita saúde para mim e para os meus e ter uma carreira profissional cheia de sucessos. Ser feliz e viajar!

Quero muito continuar a ser útil aos outros, pois sem isso não me sinto completa. Quero também continuar a sentir gratidão pela vida, pois considero que este sentimento é aquele que me faz mais feliz.

Quero continuar a ser corajosa e continuar a ter a capacidade de não desistir das coisas quando acredito nelas.

Enfim, tenho vários “maiores sonhos”!

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Centro de Paralisia Cerebral de Beja

O Centro de Paralisia Cerebral de Beja (CPCB) é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que surgiu no âmbito da Comissão Coordenadora Distrital de Beja, no Ano Internacional do Deficiente (1981); iniciou o seu funcionamento em Outubro desse ano e foi inaugurado a 9 de Dezembro seguinte – no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Deficiência

O CPCB foi constituído formalmente como associação de solidariedade social, a 26/02/1982, e a declaração de Pessoa Coletiva de Utilidade Pública data de 29/12/2004.

A Instituição atua preferencialmente no distrito de Beja, e tem por missão habilitar, reabilitar e cuidar de pessoas com deficiência e/ou incapacidade e suas famílias nas áreas da saúde, educação, ação social e socioprofissional. Procura ser uma referência pelos seus serviços, pelo que a responsabilidade, solidariedade, autonomia, respeito, criatividade, liberdade e bem-estar são os valores em que se alicerça.

Tem atualmente mais de 100 trabalhadores e dá apoio a mais de 700 casos anualmente.

Saber mais em http://cpcbeja.org/

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