Solange Mata no pódio

 

ars athletica

Solange Santiago da Mata, nasceu a 21/03/67 em Angola, na antiga cidade de Nova Lisboa. Chegada a Portugal, foi em Beja que se fixou e concluiu a sua formação na Área do Ensino, e é professora, lecionando as disciplinas de Educação Visual e Educação Tecnológica, bem como Cerâmica, a alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico.

Em 2005 iniciou a prática de Danças de Salão, com o marido como par, e no ano de 2007 começou a competir. Ao longo de 10 anos, Solange & José Mata conquistaram vários títulos regionais e nacionais, obtendo também boas classificações em campeonatos internacionais. Em 2009, o par integrou a Seleção Nacional, tendo representado o país em 6 Campeonatos de Mundo.

Quando se retirou do mundo das danças o casal ocupava, no seu escalão, o 15º lugar no Ranking Mundial, tendo conquistado o estatuto de “Par Estrela” pela Federação Mundial de Dança Desportiva (WDSF – World Dance  Sport Federation), da qual é membro a FPDD,  criada a 15/10/1991, e que é o organismo nacionalmente competente para promover e desenvolver a modalidade.

Solange Mata, atualmente a aprender Flamenco e a ensaiar um grupo de marchas populares,  está, este mês, no pódio.

logoM Tem a vida que idealizava?

Ter um ideal de vida… Nunca pensei muito nisso, tenho uma família fantástica e, nos tempos que correm, manter uma família já é um grande ideal. Outro que me ocorre e não menos importante, é amar e ser amada. Valorizo muito o amor e a família, talvez por ter sido mais uma, entre muitos, que a dada altura viu a família a recomeçar do zero. Essa experiência moldou a minha forma de estar e de pensar a vida, ou seja, ela é real quando se apresenta com altos e baixos, com avanços e retrocessos. É nesses desencontros que eu cresço enquanto pessoa e aprendo a valorizar o que me rodeia. Gosto das coisas simples e verdadeiras.

logoM A intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

Acredito que sim, é importante sentir que fazemos parte de algo. É atuando, participando e intervindo que nos apropriamos do sentimento de pertença e, quando sentimos algo como nosso, passamos a estimá-lo, a protegê-lo e a acarinhá-lo. Com o tempo, através do exemplo mais do que através da palavra, podemos vir a ser um “modelo” a seguir e, quem sabe, fazer a diferença.

logoM Como vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar?

É difícil mas não impossível. Exige claramente um grande esforço em termos de organização e gestão do tempo e dos afetos. O apoio familiar foi inestimável para conseguir conciliar a casa, o trabalho, as competições e as horas de treino. Um outro fator muito importante prende-se com a nossa resistência física e persistência emocional pois há ainda que lutar por bons resultados desportivos. Houve alturas em que o meu dia tinha 48 horas, só podia!

logoM Na sua vida existe equilíbrio entre a vida profissional, familiar/social?

O equilíbrio é sempre relativo. Para eu estar bem e apta a ter uma boa performance, obrigatoriamente estaria um familiar a ser sobrecarregado. Em competição tive de aprender a desligar. Não podíamos ir para o recinto com preocupações fossem elas do trabalho ou de ordem familiar. A concentração, obrigatoriamente, apagava tudo e todos.

No meu dia a dia, faço por viver de forma equilibrada e sem excessos. Tenho a preocupação de cumprir as minhas responsabilidades sejam elas familiares ou profissionais.

logoM Já sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

Que me recorde nunca senti qualquer entrave face à minha condição enquanto mulher, fosse em que situação fosse. Lamentavelmente, continua a ser bastante comum ouvir comentários pouco felizes a respeito da Mulher, ditos em ar de graça.

logoME como atleta, sente, ou já sentiu, dificuldade na sua afirmação e/ou na compatibilização com a vida profissional e familiar?

Nas Danças de Salão, a mulher é muito mimada. Tudo gira em torno da figura feminina. O mais difícil será conseguir gerir o grau de exigência inerente à dança de competição, tanto em termos de horas de treino como em termos de saídas, a família (marido, filhos, pais …casa, roupa,…) com toda a dinâmica que daí advém para a mulher. Depois ainda há o emprego. Em Portugal, apenas um pequenino número de dançarinos pode viver da dança. Para os demais, esta prática é uma carga que se acresce a todos os outros afazeres que se cumprem diariamente. Felizmente, o meu par foi sempre o meu marido o que, em termos familiares, se revelou uma mais valia pelos motivos atrás referidos.

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

Não sei se essa atitude é própria das mulheres. A sê-lo, considero tratar-se de uma atitude inteligente. Cada vez mais as pessoas querem fazer-se ouvir e raramente se interessam em ouvir os outros. Já tenho feito várias experiências nesse sentido e o resultado não varia quando se é homem. Arrisco alvitrar que, nestes tempos que correm, pesa o facto de se estar mais focado em si próprio que nos outros. Em relação a mim, não minto ao afirmar que falo pouco e guardo muito para mim… é mais seguro.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?

Para que as mulheres vejam conquistado o seu direito à igualdade, seria necessário que o Homem deixasse de temer a palavra “Igualdade”. Quando for possível entender o termo Igualdade de género como a ausência de diferença, como igualdade de direitos e de deveres entre os géneros masculino e feminino, então será possível uma sociedade com menos preconceitos, seja de género ou outras, como sexual, étnica ou social. Nessa altura, a mulher terá como garantido o seu direito de igualdade.

logoMComo podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

O termo Igualdade é, por si só, complicado e ao juntar a palavra Mulher, como se diz no Alentejo, “está o baile armado”. Há um peso histórico/cultural/religioso que coloca sempre a Mulher num patamar inferior em relação ao homem. E a mulher luta, reivindica, grita, debate-se, exige mas no fundo há sempre uma voz a recordar essa sentença que se abateu sobre si sabe-se lá porquê. Vai ser um processo muito difícil que exigirá que a mulher que acredite realmente que esse direito lhe assiste, que seja perseverante, que participe mais ativamente e que tenha uma representação política efetiva.

logoMQual é o seu maior sonho?

Que me saia o Euro milhões? Brincadeiras à parte, sou ceramista e adoro trabalhar com a argila, gostava muito de ter um espaço meu para me dedicar à cerâmica por inteiro. O meu grande sonho era não depender economicamente do meu emprego e poder lançar-me de cabeça nesta minha fantasia.

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