E agora Rosa, falamos de quê?

A Rosa

Madalena Palma

Há tantos temas que podíamos abordar, não é? Mas ninguém te mandou esperar pelo último dia para escreveres o que te vai na alma num dia inundado de chuva e ansiedade.

Um dos temas poderia ser a Greta Thunberg. Tanto se falou e escreveu sobre a miúda que, agora que já ninguém fala dela, poderíamos nós dar a nossa opinião. Na verdade nunca gostámos muito de carneiradas por isso falarmos antes ou depois de toda a gente tem muita mais graça. Realmente a miúda é espectacular e chega onde muito poucos chegaram. Foi, de forma tímida, trilhando o seu caminho e hoje é tema de notícias, movimentos e é um exemplo pela sua persistência e coerência de discurso. Mas mais do que as palavras são os exemplos e nós, aqueles que fazemos um pouco todos os dias, também temos um lado Greta, não é? Não precisamos é de o gritar ao mundo. Se bem que a sensibilização é importante e explicar como podemos fazer mais e melhor é um trabalho bastante meritório mas há um mundo de gente que faz muito e foge dos radares do mundo e isso, para mim, também tem muito valor. E eu adoro essas pessoas. As que fazem sem publicidade e necessidade de propaganda. Atenção que não estou a tirar mérito absolutamente nenhum à Greta Thunberg mas há também quem faça muito pelo bem do próximo ou do ambiente sem o gritar ao mundo. E é aqui, este ninho, que me apetece explorar.

Sabes Rosa, estou cansada que me perguntem por que razão faço isto ou aquilo, ou se não tenho feito isto ou aquilo. Em primeiro lugar ninguém tem de saber o que cada um faz pelo bem da humanidade. Da mesma forma que ninguém deve fazer porque pretende reconhecimento.

Quem precisa hoje não está condenado a precisar sempre. Tal como quem dá não está garantido que poderá dar sempre. Bom é podermos ser, de forma natural, aquilo que somos: boas ou más pessoas, sem a necessidade de valorização ou condenação.

Realmente, a miúda deveria estar era preocupada com os trabalhos de casa, em estudar para os testes, em brincar com as amigas e amigos mas para que isso acontecesse era necessário que tivéssemos feito outro caminho que não aquele que fizemos até aqui.

E realmente o ambiente preocupa-me imenso, mas sabes o que mais me preocupa? É a desumanização do ser humano e a falta de preocupação genuína com o próximo. Aflige-me saber a naturalidade com que se maltrata, com que não se cuida. Algo que deveria estar intrínseco e deveria ser um membro fundamental do nosso corpo, a humanidade, está ao nível do chão.

Rosa, poderia dar-te milhares de exemplos daquilo que te estou a dizer mas mais do que relatar esses momentos de desumanização que presenciei acho importante fazer algo para os mudar. E estou a fazer. Sem grandes alaridos (apenas os necessários) está a nascer um conceito que não existia; a ser preenchido um espaço que não estava ocupado e estão a surgir pontes para que cresça um pouco mais de humanidade nesta terra que me viu nascer. Por isso é que acho que é mais importante fazer do que dizer e neste cantinho do Alentejo também dizem que mais faz quem quer do que quem pode e é certo que nós queremos, podemos e estamos a fazer.

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