Festival das Marias 2019

– Para as filhas, para as mães, para as filhas da mãe, e para @s outr@s tambãe –

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Leopoldina Pina de Almeida

Entre 20 e 30 de novembro vai realizar-se em Beja, Campo Maior, Cuba, Grândola e Santiago do Cacém, a primeira edição do Festival das Marias. Um festival no feminino, mas que pretende chegar a diferentes públicos de mulheres e homens da nossa região. Esta será a primeira edição do Festival, onde tivemos a preocupação de diversificar as abordagens, de modo a chegar aos vários femininos que se encontram em nós.

Festival das Marias porque SIM! Festival das Marias para dizer NÃO! Não às violências. Não às desigualdades. Não aos abusos. Não às (des)culpas. Não aos silêncios. Porque continua a ser urgente dizer NÃO, como há já tanto tempo o é, aqui, em Portugal, aqui, no Alentejo, onde ainda existem tantos atropelos legais e éticos à nossa dignidade humana, em tantos aspetos, sendo este também um deles. De forma explícita, mas também dissimulada, numa sociedade que tantas vezes se cala, ou opta por ridicularizar a vítima e desculpabilizar o agressor. Onde ainda se aponta o dedo às Mulheres que apenas querem ter os direitos que lhes estão instituídos há décadas em documentos fundamentais como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição da República Portuguesa.

Apesar de todo este contexto triste e muitas vezes revoltante, o Festival pretende ter uma tónica positiva e inclusiva, tendo como objetivo promover o papel da mulher a vários níveis, nomeadamente no mundo artístico, divulgando trabalhos plásticos, de encenação, de coreografia, de composição e/ou cuja temática seja o universo feminino. Assim, a noite será preenchida com espetáculos de música, performance, teatro ou dança, durante o dia estão patentes exposições diversas de autoria de mulheres portuguesas e haverá igualmente espaços alternativos de empoderamento. Vão decorrer vários ateliers de final de tarde (18h/20h) para grupos mais pequenos e em vários espaços da nossa cidade (Centro Unesco, Estoriastantas, A Pracinha e Alter Eco) com temáticas diversas (leitura de poesia no feminino, documentários, estórias contadas, integração intergeracional, yoga, conversas sobre erotismo e sobre igualdade de género, …). Importa destacar a possibilidade que se pretende criar com a realização dos ateliers neste horário. As mães, mulheres, trabalhadoras, têm aqui uma janela de oportunidade para participar em atividades que habitualmente lhes são vedadas, tendo em conta os múltiplos afazeres domésticos e familiares. E os homens ficam com a oportunidade de passar o final de tarde com as crianças ou a preparar uma boa refeição para quando ela chegar!

No primeiro fim de semana do Festival, 22, 23 e 24 de novembro, haverá ainda lugar para o Mercado das Marias, no Túnel do Centro Unesco, com o intuito de promover mulheres empreendedoras que nesse espaço queiram divulgar e vender os seus produtos. E durante todo o mês de novembro, temos também o trabalho que consideramos fundamental com as escolas, nomeadamente com as turmas que estão a trabalhar o domínio da Igualdade de Género, na área curricular de Cidadania e Desenvolvimento.

Mas enganam-se os que pensam que o Festival está demasiado direcionado para as mulheres. Um dos grandes desafios a que nos propusemos, já nesta primeira edição do Festival, foi o de iniciar uma prática way of council no masculino. Acreditamos que tanto o homem como a mulher devem alargar a sua consciência, aprendendo a expressar-se de forma autêntica, já que ambos são responsáveis pela promoção de masculinidades transformativas, na participação ativa dos homens pela igualdade de direitos entre mulheres e homens e para além disso, sentimos que ainda falta a muitos homens espaços onde genuinamente se sintam à vontade, sem terem que estar sempre a usar a máscara da masculinidade tóxica. Pelo menos aqui, no Alentejo, região onde vivemos e para o público com que trabalhamos.

Por isso este Festival é mesmo para as filhas, para as mães, para as filhas da mãe, e para @s outr@s tambãe. Sintam-se à vontade para participar! Qualquer que seja o vosso género, idade, cor, religião, orientação sexual, clube de futebol, partido político, dieta alimentar, grupo sanguíneo, peso, altura, profissão, estado civil, entre tantas outras características que nos tornam únic@s e especiais.

Programa

CADAC – Companhia Alentejana de Dança Contemporânea

Fundada em finais de junho de 2018, a CADAC – Cia Alentejana de Dança Contemporânea, tem como principal objetivo a criação artística na área da dança, lacuna existente até então na região Alentejo. A sua linha de atuação passa pelo estabelecimento de pontes com criadores do espaço ibero-americano, fomentando o diálogo entre os dois lados do Atlântico. Atualmente é a coreógrafa cubana Marianela Boán a diretora artística da companhia, bem com a sua coreógrafa principal. No seu breve historial, a CADAC conta já com uma criação – “Muros” – estreada em junho de 2019, no âmbito do Festival B, em co-produção com a Companhia de Teatro Lendias d’Encantar, estrutura que desde o início apadrinhou a constituição da CADAC.

No “Festival das Marias”, a CADAC apresentará o espetáculo “Muros”, que reúne quatro bailarin@s (dois homens e duas mulheres) em torno da temática das migrações, abordando a distância e o distanciamento, voluntário ou imposto, de milhares de cidadãos do mundo moderno.

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