Bernardo Silva, Conguito e a banalização do racismo

Conguito

ars athletica

Sara Mesquita

Como dá para perceber pelo título, este mês o tema é sensível.

Por esse motivo, alerta-se desde já que o objetivo não é melindrar ninguém. Por isso, caso se sintam ofendidos, faço já mea culpa por não ter passado bem a mensagem.

É de facto ridículo que nos dias de hoje, tenhamos que justificar os nossos atos e palavras antes mesmo de os praticar. Mas parece que anda por aí muito boa gente que, em bom rigor, se ofende com pouco e acha que os humanos são todos cruéis e tudo o que fazem é com intenção negativa.

Lamento, mas ainda sou das que valoriza mais as relações humanas do que as outras.

(se chegaram até aqui, parabéns!!)

Agora sim, vamos ao que interessa!

Depois de a Associação de Combate ao Racismo “Kick Out” ter mostrado a sua indignação junto da Federação Inglesa de Futebol (FA), e de a FA ter acusado Bernardo Silva de atos racistas, nos termos (literais) dos regulamentos da FA, o nosso (sim, é nosso. É português, representa-nos no futebol: é nosso. E não é só quando recebe prémios.) Bernardo Silva conheceu no passado mês de Novembro a decisão da FA sobre o tweet que publicou na sua página, em que comparava o seu colega e amigo Benjamin Mendy à famosa mascote de chocolates Conguito (queriam que o comparasse ao Noddy?).

A decisão (um jogo de suspensão, pagamento de multa no valor aproximado de € 58.000,00 e participação num programa educacional sobre racismo) não podia ser mais desadequada.

Pode ler-se no texto da própria decisão que se admite que o jogador não tinha intenção de ser ofensivo, e que estava simplesmente a fazer uma brincadeira com Mendy, o que, aliás, lhe é permitido pelo facto de serem tão amigos e cúmplices.

No entanto, a conduta do jogador foi punida desta forma por se entender que a publicação podia ofender muitas pessoas, uma vez que o jogador Bernardo Silva tem cerca de 600.000 seguidores na sua rede social.

Então, só para ver se percebi: a FA aceitou e deu como provado que a publicação não tinha uma conotação negativa, nem representava um insulto ao seu amigo por referência à cor da pele, e está tudo bem. O problema é que a publicação direcionada para uma pessoa específica que, por acaso até tem a mesma cor da pele do Conguito, pode ter ofendido outras pessoas que tenham visto a publicação. E não interessa nada que a pessoa a quem a imagem foi dirigida até tenha achado graça e sempre tenha defendido o jogador Bernardo Silva.

É isto?

Foi este o ponto a que chegámos?

Tantos anos a tentar combater o racismo, a criar medidas de segurança, proteção e punição ao racismo para, em pleno século XXI chegarmos ao ponto de não podermos fazer brincadeiras (sim, BRINCADEIRAS) com pessoas que não tenham a mesma cor da pele que nós?

Será o Bernardo Silva uma pessoa racista por não diferenciar a cor da pele e tratar de igual para igual um amigo quer seja branco, amarelo, preto, azul ou cinzento?

Não. Desculpem, mas não aceito que o futebol europeu tenha chegado aqui.

O racismo tem que ser combatido! Têm de ser penalizados os verdadeiros racistas e xenófobos que entoam cânticos e direcionam insultos a jogadores única e exclusivamente pela cor da sua pele ou pela sua raça. Isso é racismo!! Tem que ser severamente punido e não pode ser admissível em nenhuma circunstância.

Aliás, a seleção de Inglaterra, ainda recentemente no jogo com a Bulgária, sofreu um verdadeiro ato de racismo, com os adeptos búlgaros a entoar cânticos racistas a alguns jogadores da seleção inglesa. E é este tipo de atos que tem de ser combatido. É racismo e é grave!!

O tweet do Bernardo Silva não é racista, não é grave.

Grave é a sociedade não permitir tratamento igual entre pessoas de raça diferente.

Fazes algum comentário sobre uma atitude ou opinião de alguém de outra raça: és racista!

Fazes uma brincadeira com um amigo teu de outra raça: és racista!

Escolhes alguém da tua raça em detrimento de uma pessoa de outra raça: és racista!

NÃO!!

És humano, e não vês cores.

Os outros, que te acusam de seres racista, são hipócritas e têm um elevado sentido de superioridade em relação às pessoas de outras raças. Acham que a raça deles é superior e, por isso, têm que proteger os que são diferentes, seja lá o que isso for.

Agora é sempre um risco usar esta expressão, mas vai ter que ser: JÁ CHEGA DE FUNDAMENTALISMOS!!

Tive um professor que dizia, e com razão, que se tudo é especial, nada é especial.

Não podemos banalizar o racismo. Não podemos achar que qualquer ato que envolva outras raças é racismo. A continuar assim, vamos voltar a separar-nos por raças para ninguém correr o risco de ser penalizado por brincar com os seus amigos de outras raças ou discordar de opiniões de pessoas de outras raças.

Mais, temos hoje em dia um número absurdo de vítimas mortais de violência doméstica em Portugal porque a violência doméstica foi banalizada de tal maneira que qualquer capricho serve para qualificar como violência doméstica. Resultado? Tribunais entupidos de queixas falsas de violência doméstica que não conseguem dar resposta nem atender às verdadeiras vítimas de violência doméstica e que precisam mesmo de ajuda!! Antes do golpe final, são as falsas queixas que matam estas vítimas.

Tal como acontece com os milhares de velhotes que são abandonados, rejeitados, negligenciados e mal tratados por pessoas que fazem tudo para salvar o ambiente e os animais.

Mulheres com garra valorizam as relações pessoais… sem distinção!!

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