Joana Schenker no pódio

ars atletica

Joana Schenker nasceu em 01/10/1987 e é natural de Sagres, onde reside e tem uma escola de Bodyboard, modalidade de que é profissional e com grande tradição na Vila. É a mais velha de quatro filhas de um casal alemão que se fixou na localidade há mais de 30 anos. O Bodyboard surgiu de forma natural, por volta dos 13 anos, por ser a modalidade que todos os jovens da terra praticavam. Na escola, era boa aluna, mas reprovava a Educação Física, porque entendia que ninguém mandava no seu corpo, e a rebeldia valeu-lhe, no 7.º ano, uma avaliação de nível 1, enquanto em todas as outras disciplinas tinha 5. Sempre foi amiga dos animais e a partir dos 10 anos tornou-se vegetariana, sendo atualmente 95% vegan, sem extremismos, e muito por causa da adaptação alimentar que tem de fazer em deslocações ao estrangeiro. Gosta de cozinhar e tem uma página no Facebook, onde partilha receitas, apesar de atualmente a falta de tempo não lhe permitir ter atividade regular na mesma. Diz que a sua comida é deliciosa e que contribui para a melhoria da sua performance, além de se sentir de consciência mais tranquila.

Considera-se uma sortuda por ter nascido no Algarve e teve uma infância feliz: simples, tranquila e livre, em que lhe foram incutidos “valores ligados ao respeito e gosto pela Natureza”, o que se reflete na sua personalidade. Entende que a sua descontração e despreocupação, e a facilidade com que faz amizades, decorre do seu lado português, enquanto o alemão se manifesta na sua pontualidade e intolerância para com a falta de organização e incompetência. Adora “a simpatia e hospitalidade dos portugueses”, mas, confessa, que “aquela mania típica de descartar a responsabilidade para cima do próximo cada vez que algo corre mal” a irrita “profundamente”.

Joana Schenker é atleta da Associação de Bodyboard de Sagres. Chegou a ganhar o campeonato nacional (2013) mas não o título porque não tinha nacionalidade portuguesa, situação que se alterou a partir em 2014. Não sendo muito conhecida das massas, é uma das desportistas mais bem-sucedidas do país: é hexacamepã nacional de Bodyboard feminino, tendo ganho o seu 6.º título consecutivo em maio último, tetracamepã europeia (2014-2017) e campeã do mundo (2017). A Assembleia da República atribuiu-lhe um louvor, aprovado por unanimidade, pelo seu percurso, nacional e internacional (maio, 2019), e já foi agraciada com o Grau Oficial da Ordem de Mérito, pelo Presidente da República (abril, 2019).

Treina no mar mas também em terra, sendo que, quando o tempo não é propício, tem dificuldade em lidar com a impossibilidade de ficar mais de 3 dias sem ir à água. Considera o Bodyboard mais espetacular do que surf, pelas manobras que exige, gostando especialmente de freesurf. Sente que a rivalidade entre as duas modalidades, Surf/Bodyboard, reduziu, considerando-a uma questão importada, esperando que nunca venha a suceder o que se passa lá fora, como por exemplo no Havai, onde chega a haver praias para surfistas e outras para bodyboarders.

Joana Schenker “não gosta de maquilhar-se, anda quase sempre de calções ou roupa desportiva, mas nem por isso se sente menos feminina”; é uma mulher de causas, “profundamente comprometida com o Meio Ambiente e defensora dos direitos dos animais”, atenta ao mundo, entendendo que é responsabilidade de todos participar na escolha dos melhores líderes, e está no pódio deste mês, no Expoente M.

logoMTem a vida que idealizava?

Posso dizer que sim! Sou bodyboarder profissional, um sonho de miúda tornado realidade. Sinto-me uma privilegiada por poder fazer aquilo que mais gosto todos os dias. A vida ideal não é feita de facilidades e nem tudo é cor-de-rosa o tempo todo, a vida ideal é aquela que não trocaríamos por nenhuma outra. Eu tenho essa vida neste momento.

logoMA intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

Claro que sim, acredito que a sociedade somos todos nós, portanto cabe-nos a todos participar e contribuir de forma positiva para a nossa realizado conjunta. Cada pessoa tem um papel a desempenhar, muitas vezes esquece‑mo‑nos quanto é fácil contribuir de forma positiva, por vezes são pequenos gestos que fazem a diferença, quando praticados por muitas pessoas. Acredito também que a participação começa por olharmos para nós próprios e perceber como podemos ser um melhor exemplo para a sociedade.

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional/desportiva e familiar/profissional (em geral)?

Sei que essa conciliação pode ser complicada para muitas atletas, mas para mim, como não tenho filhos e o meu companheiro de vida (que também faz Bodyboard) é o meu treinador e tem os mesmos objetivos que eu, sinceramente não sinto grande conflito em conjugar a vida familiar com a desportiva. Mais complicado torna-se quando tento conciliar minha vida de atleta e treino com os compromissos profissionais de patrocinadores, entrevistas etc… que me obrigam muitas vezes a estar longe da praia. Mas para ser atleta profissional temos que ter estas duas facetas presentes e eu tento gerir o meu tempo da forma mais inteligente e eficaz.

logoMNa sua vida existe equilíbrio entre essas várias áreas da sua vida?

Tento manter esse equilíbrio, claro que depende das prioridades do momento, se estiver em plena época de competições, toda a minha energia e foco vão nesse sentido e, por vezes, as outras áreas da minha vida ficam negligenciadas, principalmente os amigos e a família. Tento recuperar os momentos perdidos quando estou em alturas mais tranquilas do meu calendário desportivo.

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

O bodyboard é um desporto dominado pelos homens; as mulheres têm um representação muito menor em termos de número de praticantes, por esse facto, de uma forma geral, sim, é mais difícil vingar nesta modalidade sendo mulher. No entanto, nunca senti descriminação direta por ser uma mulher, nem no Bodyboard nem na vida fora do desporto. Alias, na verdade sempre tive imenso apoio por parte dos homens dentro do Bodyboard.

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

Sim concordo, não sei se é algo especifico das mulheres, hoje em dia com as redes sociais é cada vez mais fácil mas também mais arriscado partilhar. Falando por mim, gosto de guardar as minhas opiniões para partilhar com pessoas que tem visões semelhantes e que sei que as conseguem entender. No entanto, sou sempre fiel às minhas convicções e essas partilho de forma natural, por vivê-las.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?

É preciso valorizar a competência, a capacidade de trabalho. Isto sem constantemente recorrer à comparação. Não precisamos de ser iguais aos homens para ter direito à igualdade, pois nunca seremos completamente iguais aos homens, nem eles iguais a nós.

logoMComo podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

Uma mulher ativa na sociedade, que trabalha e luta pelos seu objetivos, que não tem medo de liderar, opinar, que não se retrai, que ajuda as outras mulheres… estas mulheres abrem o caminho para a igualdade.

logoMQual é o seu maior sonho?

Sempre sonhei com um mundo onde deixasse de existir a superioridade que a raça humana tem em relação ao planeta e todas as outras formas de vida.

saber mais

Joana Schenker

Entrevista GQ Portugal

 

 

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