#1 Crush

O amor à sexta-feira!

Nádia Mira

Na gíria, a palavra crush é usada para nos referirmos à paixão, atração ou interesse romântico que alguém nos desperta. Os estrangeirismos tornam levezinho o gostar, vinculam menos e não comprometem, palavras como amor ou paixão pesam e custam mais a ser ditas. “#1 Crush”, porém, nada tem de leve!

Os Garbage, cuja sonoridade varia entre o trip hop, o rock e a eletrónica, foram uma das bandas sensação dos anos 90. Formados em 1994, começaram a ser reconhecidos como “a banda de Butch Vig” – produtor do icónico Nevermind dos Nirvana ou de Dirty dos Sonic Youth – mas a personalidade carismática, soturna e explosiva de Shirley Manson tirou-lhe o protagonismo e a vocalista depressa passou a verdadeira frontwoman da banda.

“#1 Crush” foi lançada em 1995, internacionalmente como lado b do single de estreia “Vow” e no Reino Unido no lado b do segundo single “Subhuman”.

Shirley Manson confessou que a letra falava sobre um stalker, alguém que vivia o amor de forma obsessiva e não saudável, mas que apesar disso também havia na canção um lado autobiográfico “Toda a gente já se sentiu obcecado por algo ou alguém na sua vida. Eu já!”.

Estava previsto que integrasse o álbum de estreia dos Garbage, o que acabou por não acontecer já que um dos cofundadores da editora temeu que a música acabasse por se tornar “uma carta de suicídio”. A própria banda não se sentia absolutamente confortável com a canção, considerando que a letra “estava um pouco exagerada”, o que não impede a reflexão de Manson sobre o amor obsessivo “Todo o amor verdadeiro é uma forma de obsessão. Se amas alguém mais do que qualquer outra coisa, esse grau de exclusividade requer uma quantidade anormal de paixão e carinho. E isso pode ser positivo” acrescentando porém “É necessária alguma moderação, não podes deixar que seja algo que tome conta de todos os teus processos mentais”. Butch Vig descreveu posteriormente o tema como “perturbador”.

A canção fez parte da banda sonora da adaptação moderna do filme “Romeu & Julieta” com Leonardo DiCaprio e Claire Diane e espelha na perfeição o amor trágico do guião. Masoquista, lânguida e noturna, quase consegue soar a Shakespeare!

No entanto, e porque a par de obsessivo, também todo o amor é irracional, as considerações de Manson ou Vig fazem sentido mas comigo não colhem. É que embora sombria “#1 Crush” só me soa a luxúria e a sensualidade, a arrebatamento e a ardor, soa a exaltação e a desejo e, sobretudo, soa ao corpo de quem tem o poder de tornar todos os teus dias sexta-feira!

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