I’d Do Anything for Love (But I Won’t Do That)

O amor à sexta-feira!

Nádia Mira

Sempre achei que o amor não pode ser incondicional. Deverão sempre existir limites, competindo-nos decidir se estes serão mais ou menos latos, que funcionarão como guardiões da nossa individualidade, da nossa dignidade e, em última análise, da subsistência da nossa verdadeira capacidade de amar, em detrimento da mera dependência emocional da qual a “incondicionalidade” é demasiadas vezes espelho.

Aparentemente o homem que há dias saiu do túmulo para vir fazer desconsiderações sobre Greta Thunberg, concorda comigo neste aspeto e existem coisas que jamais fará por amor! Quais? É, ao que consta, a pergunta que Meat Loaf mais ouve…

“I’d Do Anything for Love (But I Won’t Do That)” foi lançada em 1993 como o primeiro single de “Bat Out of Hell II: Back into Hell” o álbum que marcou o regresso do músico e da sua colaboração com o compositor e produtor Jim Steinman, responsável por canções como “Total Eclipse of the Heart” de Bonnie Tyler ou “This Corrosion” e “More” dos Sisters of Mercy.

Mas o que é afinal o “that” que Mr. Loaf jamais fará? O cantor acreditava que a letra era inequívoca, Steinman, porém, previu que esta lançaria a dúvida. A explicação supostamente é simples “É a linha antes de cada refrão” explicou Loaf. “Há nove, penso eu. O problema é que Jimmy gosta de escrever, então é fácil esquecer que se refere a algo que já foi dito antes de chegar a ‘I won’t do that’” (algumas das coisas que a canção diz que ele não fará: “forget the way you feel right now”, “forgive myself if we don’t go all the way tonight”, “do it better than I do it with you”, “stop dreaming of you every night of my life”). Em bom rigor, a questão prender-se-ia apenas com a utilização de “but” em vez de “and”.

A explicação é boa e talvez eu não partilhe com Meat Loaf opiniões sobre o amor, podendo assim prosseguir menos atormentada a minha existência.

No entanto, considerando a quantidade de vezes que a expressão “I won’t do that” é utilizada, especialmente durante a primeira parte da música, sem que haja associação possível a algo que já foi dito, faz crer que, na verdade, o uso excessivo da expressão parece ser intencionalmente ambíguo.

O jornal satírico Waterford Whispers News propõe uma explicação bem mais interessante para a seminal canção, avançando que Mr. Loaf teria finalmente confessado que a então namorada, lhe sugeriu, de forma a dar nova chama à relação, a utilização de um strap-on e que a sua relutância em ser penetrado por um objeto estranho resultou numa das músicas mais românticas de todos os tempos. Escolho acreditar nesta versão com a mesma convicção com que Meat Loaf afirma não acreditar nas alterações climáticas!

Relembrado este clássico dos 90’s, Meat Loaf e as suas considerações podem voltar para o túmulo de onde recentemente saíram. Quanto a nós, é sexta-feira, o que cabe nos limites do amor é uma opção que será sempre e só individual, com ou sem strap-on, é entregarmo-nos, lembrando apenas – se dói, é possível que exista algo não estamos a fazer bem! Ou então não é nada assim e esqueçam tudo… é que tal como o Meat Loaf eu não percebo nada de amor… ou de strap-ons.

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