DISCIPLINAR AS CLAQUES OU ACABAR COM ELAS?

doc2019052526323946fox_9096_1172337aa

ars athletica

Sara Mesquita

Segundo o horóscopo chinês, 2020 é o ano do rato. Animal que para a filosofia chinesa está associado a saúde, riqueza e prosperidade.

Para nós, portugueses, o rato é associado a pessoas desonestas, traiçoeiras e… nojentas!!

Para Portugal, parece então que em 2020 é tempo de acabar com esta sujidade do mundo desportivo. É tempo de arrumar as casas e ser transparente.

Acabámos 2019 e começamos 2020 com a violência associada ao desporto a assumir contornos merecedores de reflexão. É preciso parar com esta onda de violência, e não é a retirar apoios a claques ou a impedi-las de entrar em recintos desportivos que esse objetivo vai ser alcançado.

O tema da violência associada ao desporto não se esgota numa alteração legislativa pontual que é feita apenas para “ficar bem”. É uma matéria que tem de ser estudada, pensada e regulamentada com todo o preciosismo legal que merece. Não é por acaso que esta rúbrica é a terceira relacionada com o tema (violência no desporto Parte I e Parte II).

Os GOA (Grupos Organizados de Adeptos) são, nos termos definidos na lei, um “conjunto de pessoas, filiadas ou não numa entidade desportiva, que atuam de forma concertada, nomeadamente através da utilização de símbolos comuns ou da realização de coreografias e iniciativas de apoio a clubes, associações ou sociedades desportivas, com carácter de permanência.”

Ainda que com esta definição se possa entender que 3 ou 4 amigos que se juntam num Domingo à tarde para ver a sua equipa a jogar e usam uma coreografia adotada na noite de sábado anterior, é um grupo organizado de adeptos, refiro-me aqui aos grandes GOA. Aqueles que vão ver a equipa a jogar onde quer que seja, faça chuva ou faça sol, que apoiam incondicionalmente as equipas do seu clube em todas as modalidades, ainda que não percebam as regras do jogo.

Os verdadeiros GOA têm como objetivo principal apoiar o clube, incentivar as equipas e completar o espetáculo desportivo. Um estádio sem claques, sem cânticos, sem apoio, é apenas o local onde decorre um jogo que tem o mesmo impacto visto no recinto ou no sofá, através da televisão.

Os adeptos que se deslocam ao estádio e pagam bilhetes para assistir ao jogo, não o fazem apenas porque gostam da modalidade e querem ver o jogo “ao vivo”. Esses adeptos compram bilhete e vão até ao estádio pelo espetáculo desportivo, a emoção, o convívio, o entoar dos cânticos desde o apito inicial ao apito final.

As claques são parte do espetáculo desportivo.

E o promotor do espetáculo desportivo só tem a ganhar se coordenar o evento com as claques.

Se das claques emergem associações criminosas?

Acredito que sim.

Se são a maioria?

Não tenho dúvidas que não!!

Vejamos o exemplo do Sporting: claques descontentes com a direção, direção incomodada com o descontentamento das claques, proibições, atos de violência, cortes de luz e água, retirada de benefícios, mais violência.

Pois é, ninguém está bem em Alvalade. Os GOA querem apoiar a equipa e querem fazer-se ouvir, a direção quer calar as claques. E os adeptos? E os sócios?

Ainda não chega de birras?

Estar em Alvalade 45 minutos sem ouvir cânticos, mesmo com a bancada das claques cheia, mais do que triste é deplorável. Pior do que isso, é a direção não saber lidar com as chamadas de atenção das claques.

Onde anda afinal o OLA (Oficial de Ligação aos Adeptos) do Sporting? Aquele que, nos termos da legislação em vigor, deve representar os clubes e assegurar a comunicação eficaz entre os adeptos e os clubes, as forças de segurança e a segurança privada a fim de facilitar a organização dos jogos, a movimentação dos adeptos e de prevenir comportamentos desviantes… aquele que deve ter um papel conciliador.

Além do OLA, também as federações, associações, clubes, GOA, APCVD, e principalmente o Estado português, têm de ter um papel interventivo, preventivo, conciliador e eficaz. Na prática, trata-se apenas de gerir pessoas, e existem pessoas qualificadas para assumir essa função.

Fica um conselho para todas as partes envolvidas: sirvam o desporto e promovam o espetáculo desportivo. Ganhamos todos e o desporto fica mais rico!!

Em momento posterior, abordarei a constituição, registo e vigência dos GOA. Por agora, é momento de reflexão sobre o estado do desporto em Portugal. E cabe-nos também a nós, amantes do desporto em Portugal, não contribuir para atos de violência ou que geram violência.

Mulheres com garra também apoiam o clube… com classe!!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s