Ain’t Got No/ I Got Life

O amor à sexta-feira!

Nádia Mira

“Se eu não gostar de mim quem gostará?” já foi slogan de uma marca de lacticínios e transformou-se numa espécie de mantra de autoestima que quase todos, com maior ou menor grau de convicção, já evocámos.

Se é verdade que o amor-próprio não é per si garante de que os outros nos olhem com maior afeição, é inegável que a sua inexistência potencia o perpetuar de relações sociais e interpessoais disfuncionais.

“Ain’t Got No/ I Got Life” é um verdadeiro apelo à valorização pessoal. Lançada em 1968, por Nina Simone, integra o álbum “’Nuff Said!” e é um medley das canções “Ain’t got no” e “I got life” do musical “Hair”.

Nina Simone, nome artístico de Eunice Kathleen Waymon, ícone do jazz e da soul, aliou à excelência musical um ativismo pouco visto à época no que respeita aos direitos civis da comunidade negra.

Em “Ain’t Got No/ I Got Life” a cantora começa por evocar tudo aquilo que não possui para de seguida exaltar o que tem e que ninguém lhe poderá tirar. O processo de negação, acompanhado pelo instrumental em crescendo, funciona como escada para finalmente vislumbrar o que realmente importa: a liberdade e a vida!

A música abrange uma larga paleta de emoções e mensagens sociopolíticas, as mesmas que Nina tão magistralmente traduziu num vasto repertório de gravações e performances ao longo de uma carreira de mais de quatro décadas.

Nina Simone foi literalmente a voz do movimento negro americano e hinos como “Ain’t Got No/ I Got Life” eram responsáveis por acalmar os ânimos e os corações dos que tudo perdiam na lógica violenta e separatista que então se vivia (felizmente, e como podemos observar todos os dias nas caixas de comentários do facebook, não existem problemas raciais em Portugal).

“Ain’t Got No/ I Got Life”, mais do que uma canção, é uma celebração e relembra-nos que há sempre razões para escolher o lado positivo da vida, não importa o quão difícil se afigure o caminho que temos pela frente.

É sexta-feira, usemos sem parcimónia do mais inestimável bem que possuímos – a liberdade! – empreguemos as nossas melhores qualidades na quebra dos grilhões que teimamos em deixar que nos acorrentem e meio caminho para o amor já estará feito!

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