Respect

O amor à sexta-feira!

Nádia Mira

Podcast

Se considero existir, para todas e cada uma das formas de amor, uma conditio sine qua non, esta será sempre a existência de respeito. Não creio que possa ser amor se a este não for intrínseco o respeito. Acresce que, saber exigi-lo, para nós e para os outros, é dos atos que mais amor pode conter.

Escrita e originalmente lançada como single por Otis Redding em 1965, “Respect” é mais conhecida como sendo a “canção assinatura” da cantora de R&B e soul Aretha Franklin, que a regravou e relançou como single em 1967.

A versão original de Ottis Redding, ironicamente, tinha uma mensagem diametralmente oposta à que a Aretha Franklin veio a lançar dois anos depois. Redding, num discurso profundamente machista porém normalizado, exigia o respeito da sua esposa, dona de casa, já que era ele quem trabalhava todo o dia para sustentar o lar. Um enunciado muito comum à época e ainda hoje não extinto.

Aretha não teve pejo em inverter os papéis e fazer da sua versão um hino do movimento feminista e uma das melhores canções da sua época bem como a 5.ª melhor de sempre segundo a revista Rolling Stone. Gravada no dia de São Valentim de 1967, a versão de Aretha Franklin introduziu algumas modificações estéticas à canção original e pequenas alterações na letra, no entanto, é a própria Aretha, então com apenas 24 anos, com o poder e determinação da sua voz e a sua pujante interpretação quem torna “Respect” num hino à mulher e numa reivindicação do respeito que esta deve merecer.

Atualmente, já não nos basta pedirmos um pouco de respeito, urge que não se conceda um milímetro à exigência da consideração que é devida à mulher, mas em 1967 uma letra como esta era absolutamente revolucionária. Apesar disso, em 2017, ano que marcou os 50 anos do lançamento do hit, a cantora declarou humildemente “Não acho que a mensagem seja ousada. É bastante natural o facto de todos querermos respeito – e deveríamos tê-lo”.

No entanto, mais de cinquenta anos depois, a desigualdade, a subjugação, o abuso, a violência, o assédio continuam a ser problemas que as mulheres têm de enfrentar diariamente. E enquanto houver uma mulher a ser vítima de desrespeito e opressão, somo-lo todas! Hoje, por uma vez, não me importa se é sexta, porque a exigência de respeito e a consciência de que este é condição essencial do amor, pertence a todos os dias!

 

 

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