Depressão

Idos de março

Sónia Calvário

Entrámos hoje na pior fase da pandemia do Codvid 19: a mitigação.

A presente situação será um marco na História da Humanidade, disso não haverá dúvidas; mas será também uma provação pessoal e familiar, social e económica.

Há uns anos um conceituado médico da cidade de Beja referia, numa conversa informal, que os meses de fevereiro e março eram especialmente propensos à depressão. Não sei se assim é porque não encontrei, nas pesquisas efetuadas, qualquer informação que o evidencie, pelo menos com esta clareza. Talvez o culminar do “distanciamento social” e das noites longas e dos dias com pouco sol, dos meses anteriores. Sabemos, contudo, que a OMS previa que, até 2020, a depressão seria “a doença mais incapacitante do planeta”.

O necessário isolamento social, provocado pela pandemia, vai certamente influenciar estes números. Se as famílias estão numa fase de adaptação, em que se aproveita para estreitar os laços que a vida em sociedade, das últimas décadas, tem condicionado, passar-se-á à fase da criatividade para ocupar, em conjunto, um espaço que o lar, diferentemente do suposto, não comporta, ou deixou de constituir. Certamente, em breve, se assistirá à capacidade de adaptação, com respeito pela individualidade de cada um e pelo conjunto, como deve ser uma família; ou ao afastamento, cujos elementos se sentirão acorrentados, confinados num a espaço que têm de partilhar. Será, sem dúvida, um teste. Servirá, por certo, para nos conhecermos melhor, para trabalharmos o nosso “eu” em função do “nós”. No fundo, como se impõe para fora das nossas portas: pensarmos nos outros.

É nuns outros, aqueles que não têm a possibilidade de partilhar o espaço, porque vivem sozinhos, porque têm os seus familiares num qualquer outro local, ou que simplesmente não têm ninguém, e ainda aqueles para os quais estar confinado a quatro paredes é altamente angustiante, que temos também de nos lembrar e de nos preocupar. Indicam-se, no final, duas páginas de apoio, com os respetivos contactos telefónicos, que espero que já estejam a planificar o previsível aumento de procura e que venham a ser atempadamente reforçadas.

E como o Expoente M é um blog positivo, seguem algumas sugestões para ocupar o tempo e a mente:

– organizar as fotografias, quer em formato físico (ainda as temos, algures, numa qualquer estante ou caixa), quer digital, aproveitando para ouvir música (os CD que estão esquecidos…)

– colocar a leitura em dia; intercalar com a visualização de filmes e documentários, para os quais não houve tempo ou disponibilidade, ou até os filmes caseiros, guardados religiosamente, a aguardar um tempinho;

– fazer exercício físico, dançar (na net existem  milhares de tutoriais), com muita música; e porque não uma sessão de karaoke?;

– dedicar-se às arrumações a fundo, podendo aproveitar-se para mudar a decoração, bastando relocalizar alguns móveis, e até criar um cantinho especial para leitura ou trabalho (convém não esquecer que o teletrabalho está aí e vai, depois de mais de 10 anos previsto na lei, tornar-se uma realidade para o futuro, de muitos).

Fiquem em casa!

Úteis: – SOS Voz Amiga;Observatório Infanto-Juvenil

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