Psychotic Reaction

O amor à sexta-feira!

Nádia Mira

Vivo sozinha e sou tendencialmente carente. Não lido bem com o isolamento. Sinto falta de braços a envolverem-me, de mãos a tocarem-me, do calor dos lábios. Faltam-me os amigos e os amores. As seduções, os flirts e o conforto de um repousar de mão no meu ombro. Falta-me não ter espaço para mais um copo na mesa da sala ou ter que baixar o volume da música para ouvir melhor a fala…

Admito a possibilidade de estar a ser excessiva na minha reação, afinal, passei a semana a assegurar o funcionamento do meu serviço na instituição que sirvo, e todos os dias comunico o amor com amigos e família através dos meios que temos ao dispor, mas isto de me suspenderem Direitos, Liberdades e Garantias, deixa-me sensível e mais suscetível a reações psicóticas. Valha-me o rock!

Count Five é uma banda de garage rock da década de 60, formada em San José, Califórnia e que ficou conhecida pelo seu single “Psychotic Reaction”. O tema foi lançado em 1966 e integra a lista das “500 Songs That Shaped Rock and Roll”, foi uma das primeiras músicas a introduzir com sucesso muitas das características do que viria a ser o acid rock – distorção, feedbacks e longos instrumentais, aliados a uma letra curta e incisiva – e tornou-se a chave do grupo para o estrelato e o seu único hit. Bandas como The Cramps ou The Vibrators têm as suas versões da canção.

Em “Psychotic Reaction”, John Byrne diz-nos que sem amor não alcança a satisfação, e tal como me tem acontecido nos últimos dias, a ausência de amor e a sensação de solidão tendem a provocar-lhe reações psicóticas.

Uma breve pesquisa no Google devolve-me, sucintamente, a definição de psicose como “perturbação mental grave com alteração da personalidade, da perceção da realidade e do comportamento afetivo e social, sem que o doente tenha consciência do carácter patológico dessas manifestações”.

É sexta-feira, ao meu final de semana faltarão beijos, gargalhadas e amor. Para os que como eu estão sós, é difícil continuar a manter incólume uma apurada perceção da realidade e um comportamento afetivo e social equilibrado. Não tenhamos pudor em dizê-lo, ainda que nos façam sentir culpados por outros suportarem maiores tormentas. Não que o esforço não valha a pena, mas ainda que nos repitam que vai correr tudo bem, há uma enfermidade a que já não conseguiremos escapar, porque a solidão também é uma doença e não há whatsapp que a consiga curar.

Uma opinião sobre “Psychotic Reaction

  1. Calma! Quando a normalidade voltar, pode ir para a rua e dar abraços a todas as pessoas, e todos sentirão também a mesma necessidade de abraços e carinho, e então tudo será ainda melhor: tudo será mais intenso: tudo será diferente daquilo que já foi.

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