a senhora que se segue: Madalena Palma

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Madalena Palma é colaboradora do Expoente M, desde setembro, com A Rosa. Teve um blog durante vários anos, o “Aliciante”, e publicou, em 2015, “O Avisador de Estações”.

Mulher determinada e lutadora, é Presidente da Associação ESTAR, sediada em Beja, há precisamente um ano, aqui apresentada na primeira pessoa, e é a Senhora que se segue no Expoente M.

Olá a todos, o meu nome é Madalena Palma, estou a dias de chegar aos 44 anos, tenho dois filhos e um enteado já homens feitos, sou nascida e criada em Beja.

Sou a mais nova de três irmãos, fã do meu pai, casada e apaixonada pelo meu melhor amigo.

Trabalhei 15 anos em rádio, 12 como jornalista. Será clichet falar do bicho da rádio mas é tão verdade que até me arrepio quando a memória me leva lá atrás. Tenho saudades daqueles tempos mas não é algo que faria hoje. Hoje visto e respiro Associação ESTAR, da qual sou Presidente da Direção. É a filha que nunca tive, que estou a criar em pé de igualdade com uma das minhas melhores amigas, a Inês Féria que é tão felina e focada como eu na concretização deste sonho.

logoMTem a vida que idealizava?

A inconstância da vida nunca me deu o luxo de idealizar seja o que for.

Basta ver que nos últimos dois anos mudei de casa, casei, terminei o curso, despedi-me, formei com a Inês a ESTAR, perdi a minha mãe, os meus filhos tiraram a carta e ingressaram no ensino superior, começaram a trabalhar, um foi para o estrangeiro, a pandemia quase o impediu de vir, fiz as pazes com um amigo 17 anos depois.

Como podemos nós idealizar seja o que for quando de repente vem uma pandemia e joga-nos para casa?

Não dá.

Vou formando vontades ao longo dos anos e depois não fico à espera que me caia nada no colo. Faço por acontecer.

Posso dar o exemplo da ESTAR e, na realidade foi sentada no sofá que juntamente com a Inês a desenhámos. Desde esse momento não parámos um único dia sem trabalhar para que se crie, se construa e se concretize. Nunca será um projeto que idealizámos porque permanentemente ele está em mudança pois adaptamo-nos de imediato à realidade que nos surge. É sim um projeto com um objectivo: ajudar e isso permite-nos fazer um mundo infinito de coisas.

O ser humano tem a capacidade de se adaptar e é nisso que deposito muita confiança. Tanto mais que a vida nem sempre se porta bem e quando menos se espera vem uma Pandemia e pimba, tudo adiado. O importante é não perdermos o foco.

Sou muito grata por tudo aquilo que tenho. Muito mesmo. Mas isso não me impede de querer mais e de fazer mais. Essa é, sem dúvida, a vida que podia idealizar, a de nunca me resignar ao que faço se posso fazer mais e melhor. 

logoMA intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

Obviamente que sim. Não somos eremitas. Não vivemos isolados do mundo. Tanto mais que esta fase que estamos todos a passar vem provar ainda mais a necessidade que temos uns dos outros.

A intervenção e participação cívica deviam ser disciplina na escola. O 25 de abril fez-se disso. E, lamentalvelmente, tem-se vindo a perder com o passar dos anos.

As redes sociais permitem que todos atualmente têm voz e uma plataforma onde podem dar a sua opinião e ter uma participação ativa. Lamentavelmente é utilizada de forma vil e fútil. As pessoas ainda não perceberam que podem viver sem dar opinião sobre tudo e sobre todos. Todas as pessoas se sentem com competência para falar da esquerda e da direita, tão depressa dizem que as ervas à sua porta estão grandes como acham que podem alvitrar o dia certo em que se vai descobrir a vacina. Isso, na minha opinião não é participação cívica. É sim jogar postas de pescada ao ar. Todos podemos fazer melhor do que isso.

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar?

Perfeitamente conciliável. Ao longo dos anos fiz algumas tentativas para me licenciar. Não foi possível por saber que não conseguia conciliar. Mas à medida que os anos foram passando e os miúdos foram crescendo e ganhando independência consegui de uma assentada fazer muita coisa que estava em banho-maria. Agora é mais fácil.

Somos todos muito presentes na vida uns dos outros. E a falta de um ou outro é compensada pelos restantes. Ser a única mulher numa casa onde somos 5 não é fácil mas é o ideal e adoro. Apesar de haver coisas que só eu vejo (roupa no chão, o lugar da vassoura) e eu sei que sou “militar” até no fazer das camas mas damo-nos todos muito bem.

logoMNa sua vida existe equilíbrio entre a vida profissional, familiar/social?

É algo que me tranquiliza a todos os níveis. Por exemplo, chegar a casa depois de um dia passado com a Inês em que tivemos imensas reuniões, conhecemos imensas pessoas e as suas necessidades e ir ao quintal onde estão todos e partilhar um ou dois momentos e apenas apreciar aquela sensação de família e ninho é algo que me faz ganhar anos de vida.

Tenho também um círculo de amigos de há muitos anos que me enriquece profundamente.

Esse equilibro dá-me a paz que preciso para enfrentar o dia seguinte.

A ESTAR lida diariamente com imensos problemas. Aliás, quem nos procura está a viver um dos momentos mais difíceis da sua vida. Lidar com isso sem ter uma retaguarda que me dá paz e segurança não seria possível.

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher? 

Já. Uma única vez. Fui vista não como profissional mas apenas como mulher no lado carnal do termo. Pisaram um risco. Pus um travão e mudei o rumo. Foi um momento muito complicado porque ao ter de agir perdi muito mas mantive a minha dignidade e essa, nem arrancada a ferros ma descolam da pele.

Foi apenas mais um percalço. Dei a volta, obviamente. Se tivesse cedido e não tivesse agido hoje não era nada daquilo que sou e percebo bem como é possível alguém anular-se porque não ter forças para dizer que não.

logoME como dirigente associativa, sente, ou já sentiu, dificuldade na sua afirmação e/ou na compatibilização com a vida profissional e familiar?

Não. Em momento algum.

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

Não tenho nenhum jardim secreto. Não tenho nada que tenha guardado unicamente para mim.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?

Continuar a fazer o caminho da afirmação. Nunca se resignarem ou calarem-se quando se sentem inferiorizadas no seu papel.

logoMComo podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

Há que continuar a lutar pela igualdade de direitos. É um caminho ainda longo, mas tem de continuar a ser feito. Até mesmo entre as mulheres. Há que ter a consciência de que devemos ter os mesmos direitos e lutar por eles.

logoMQual é o seu maior sonho?

Que os meus filhos sejam felizes e continuem a sentir-se orgulhosos das decisões que tomam.

E que a Inês e eu consigamos ter alguma sustentabilidade financeira para continuarmos a fazer, com a mesma força de sempre, o trabalho que temos feito diariamente com a ESTAR.


Estar

A Associação ESTAR, foi criada a 10 de abril de 2019, dirigida e essencialmente concretizada por duas Assistentes Sociais, a Madalena Palma e a Inês Féria.

Trata-se de uma Plataforma e um serviço de primeira linha que visa apoiar as pessoas, as famílias, as Instituições e as Entidades, na prevenção e/ou apoio à resolução de problemas geradores ou gerados também por situações de exclusão e fragilidade social.

Em parceria com inúmeras entidades no terreno, atua no seguimento de situações de risco, junto de grupos vulneráveis, satisfazendo as suas necessidades imediatas, desenvolvendo atividades transversais e complementares à intervenção social que já existe, com capacidade de dar resposta no imediato.

Contactos:

Telefone: 964 769 309

email: estar.associacao@gmail.com

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