Todos contam!

Idos de abril

Sónia Calvário

O mês iniciou com a renovação do Estado de Emergência, acrescendo às limitações impostas em março, entre outros, a proibição de ajuntamento, o fecho de fronteiras e condicionalismos de circulação aéreo e também no território continental, o encerramento de estabelecimentos e empresas. Excecionou-se o limite das horas suplementares a realizar pelos profissionais de primeira linha de combate ao vírus, incluindo os trabalhadores de instituições sociais, como os lares. Implementou-se, como regra, o teletrabalho, sempre que possível. Alargaram-se prazos de pagamento e cumprimento de obrigações, suspenderam-se diligências processuais, clarificou-se a possibilidade de recurso ao Lay off.

Criaram-se linhas de apoio psicológico à situação de confinamento, cresceu a preocupação com a violência “entre portas”.

As aulas regressaram em formato televisivo e tecnológico, tomando-se consciência da real situação de desigualdade no acesso ao ensino. As famílias reorganizaram-se de forma a poderem dar o apoio necessário, mas nem sempre possível, ao imenso trabalho desenvolvido pelos professores, agora distantes.

Instalou-se a polémica quanto às celebrações do 25 de Abril, na Assembleia da República. Sentimo-nos condicionados na nossa liberdade e apercebemo-nos da sua importância nas nossas vidas.

Desencadearam-se correntes de solidariedade. A empatia e a preocupação com os outros foi uma constante. A criatividade foi crescendo. Empresas adaptaram-se. Artistas brindaram-nos com momentos fantásticos. Anónimos partilharam dicas e truques para fazer face às tarefas diárias, nomeadamente domésticas e de proteção ao vírus. Todos os dias surgiram novas formas de combate ao recolhimento.

Passámos a valorizar o trabalho, especialmente o realizado por determinados trabalhadores: os profissionais de saúde, os que apoiam as franjas mais vulneráveis e desfavorecidas da população, os que limpam e higienizam as ruas e locais públicos, os que entregam as encomendas, os que garantem a existência de bens essenciais, os informáticos, os docentes…

A partir de segunda-feira prevê-se a retoma gradual da economia, provavelmente, e bem, de forma regional, diferenciada geograficamente. Estamos todos cientes da importância que isto tem para as nossas vidas, quer em termos individuais, quer coletivos. Mas, o desconfinamento não pode significar voltar àquela que era a vida que tínhamos e que apelidamos de “normal” – espero que haja uma NOVA normalidade no futuro – mas isto ficará para próximas reflexões no blog. Os cuidados de higiene, de distanciamento físico terão de manter-se. O uso de máscaras, nomeadamente as “sociais”, deverão fazer parte do nosso dia-a-dia. Continuemos a pensar nos outros. Não sabemos se estamos infetados e por isso preocupemo-nos em não contaminar os outros. Se todos o fizermos o vírus não tem como sobreviver.

Amanhã é Dia do Trabalhador. Tal como aconteceu, há uma semana, com o 25 de Abril, valorizemos e celebremos. Tenhamos consciência da importância de TODOS, estejamos juntos na reivindicação dos seus direitos e dos seus legítimos interesses, amanhã e depois. Afinal, precisamos MESMO uns dos outros.

O que se sabe até ao momento sobre a retoma a partir de 4 de maio – VER AQUI

 

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