Ser ou não ser…

à primeira segunda do mês

Sónia Calvário

O 25 de Abril trouxe-nos a Democracia e a Liberdade. E com elas “um admirável mundo novo”, potenciado, em grande medida, pela democratização do ensino.

A minha geração, a que já cresceu em liberdade, estudou e ambicionou. As mulheres entraram maciçamente no mercado de trabalho, lutaram (e continuam a lutar) pelos seus direitos e pela igualdade salarial e de oportunidades. Enveredaram por profissões tradicionalmente reservadas ao sexo masculino. Continuaram a assumir a vida doméstica e a maternidade. Pretenderam realização pessoal e profissional. Procuraram cumprir os objetivos que lhe foram (subtilmente) incutidos, o de serem boas filhas, boas esposas, boas mães e boas donas de casa. Quiseram ir além e serem também boas profissionais: saber mais, disponibilizar mais tempo e dedicação. Serem supermulheres.

As exigências foram crescendo. As tecnologias deram um contributo com sabor agridoce: apoiam na simplificação de tarefas, mas, e por isso mesmo, fundamentam a assunção de mais obrigações.

Para que possam cumprir o seu papel, ou papéis, aqueles que foram interiorizados e os que se pretendem assumir na constante busca da felicidade, as mulheres passaram a adiar a maternidade, a ter menos filhos ou a não os ter.

É difícil, e cada vez mais, conciliar a vida pessoal, familiar, social e profissional. Trata-se de um conflito constante, entre a realização esperada e a desejada. Porque, além de todas as condicionantes, morais e sociais, as biológicas também são limitadoras.

Temos de fazer opções, para que não sintamos que falhámos, não como filhas, como mães, como esposas ou profissionais, mas como pessoas. Livres.

Nos últimos dias celebrámos o Dia da Liberdade, o Dia do Trabalhador e o Dia da Mãe. Desejo que todas as mulheres possam ser verdadeiramente LIVRES. Que tenham liberdade para fazerem escolhas, que tenham tempo e condições para ponderarem e investirem nas opções que terão necessariamente de fazer. E que não sejamos nós, mulheres, a incutir-lhes e a exigir que sejam boas filhas, boas mães, boas esposas, boas donas de casa e boas profissionais.

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