a senhora que se segue: Sarah Musgrave

fotoSara Musgrave (05/02/1972) nasceu em White Haven, Cumber­land, no norte de Inglaterra, veio para Portugal com apenas 5 anos, cresceu em São João do Estoril e licenciou-se em Biologia e Geologia (vertente Ensino), sendo professora dessas disciplinas, e de Ciências Naturais, na Escola Secundária Sebastião e Silva, em Oeiras.

Apesar de ser o sonho de menina, apenas aos 35 anos, motivada por uma crise existencial, em que resolveu fazer uma lista de coisas por realizar, onde figurava no topo escrever um romance, decidiu agarrar num papel e numa caneta e escrever o primeiro capítulo do que viria a ser o seu primeiro romance publicado. Passaram 5 anos até que desse continuidade àquela história que ficara esquecida, reencontrada numa mudança de casa… Resolveu passá-lo a computador… e nunca mais parou. Tem 20 livros escritos, incluindo um conto infantil, experimentou diversos estilos mas, não tem dúvidas, o que mais gosta de escrever são romances e já conta com três publicados: “Papoila Selvagem” (2015), “O Encantador de Sonhos” (2018) e “O Filho do Evereste” (2019).

A paixão pela escrita nasceu quando ainda era muito nova. Aprendeu a ler muito cedo e quando foi para a escola a leitura e o imaginário passaram a caracterizá-la. O avô materno, que também escrevia, incentiva-a a passar para o papel as histórias que imaginava, e, assim, aos 6 anos escreveu o seu primeiro conto, que, entretanto, com o tempo e a sua morte, se perdeu. Os pais sempre a estimularam a seguir os seus sonhos. A mãe foi determinante na sua vida, fazendo-a ver o mundo com outras cores e olhos, e o filho, Rafael, de 18 anos, é a sua fonte de inspiração.

Sara Musgrave descreve-se como mãe, professora, escritora, desportista, amante e protetora de animais, vegetariana e apaixonada pela vida. O filho é o grande amor da sua vida e tem três gatos que são a sua paixão. Adora correr de madrugada, escalar ao fim de semana e escrever sempre que pode. E é a Senhora que se segue no Expoente M.

logoMTem a vida que idealizava?

Não, de todo. Estou distante da vida que sonhei para mim. Durante o caminho perdi-me de muitos sonhos que tive. Por outro lado, vivi momentos muito bons, conheci pessoas extraordinárias e, provavelmente, fui mais feliz do que se tivesse seguido a vida que idealizei para mim.

logoMA intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

Sem dúvida! Entristece-me ver que as pessoas gostam muito de apontar o dedo, mas que nada fazem para contribuir para melhorar a sociedade e o mundo. Preocupa-me: a maldade para com os idosos e crianças, para com os animais domésticos e de rua; a falta de empatia das pessoas; a falta de cuidados com o ambiente.

logoMNo seu caso como a pratica?

Sou professora e procuro transmitir aos meus alunos valores que considero importantes quer no trato de pessoas e animais, quer em formas de preservar o ambiente. Procuro fazer voluntariado em causas que me dizem algo como as ligadas aos animais ou ao ambiente.

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar/social?

Eu tenho “duas” profissões: a de escritora e a de professora. Torna-se muito difícil conciliar com a parte social. Tanto dar aulas (a preparação das aulas e depois a implementação) como escrever (não é possível escrever apenas dez minutos, se pudesse ficava dias inteiros a escrever) ocupam a maior parte do meu tempo, o que me levou, desde que comecei a escrever, a afastar-me de atividades que adoro (corrida e escalada) e dos meus amigos. Este ano tinha prometido a mim mesma que seria diferente, que iria dedicar mais tempo à parte lúdica e social da minha vida, mas veio este vírus e virou as nossas vidas de pernas para o ar.

logoMNa sua vida existe equilíbrio entre a vida profissional e familiar/social?

Com a minha vida familiar sim. Dou muita importância a família, estes estão sempre do meu lado nos bons e maus momentos. Procuro estar sempre disponível e ajusto os meus horários de forma a poder acompanhar o meu filho e os meus pais.

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

Eu trabalho no meio em que as mulheres estão em maioria. Senti, em poucas situações, com homens em cargos de chefia (Direções ou Coordenação), que foram complacentes e paternalistas em relação a situações que se acontecessem com homens teriam outro tratamento, sobretudo no que diz respeito à indisciplina dos alunos. Já senti a discriminação, mas não por ser mulher, mas sim por ser diferente. Houve uma altura da minha vida (cerca de três anos atrás) que resolvi pintar o meu cabelo de magenta ou fúcsia (rosa escuro). Na minha escola não foi muito bem aceite por alguns dos meus colegas, algumas pessoas da direção nem pelos pais dos meus alunos. Eu vestia-me de forma normal, apenas tinha o cabelo de uma cor pouco usual, porém colocaram em causa as minhas capacidades profissionais. Acabei por regressar á minha cor original, apesar de adorar ver-me com a outra cor, senti-me eu.

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

Depende das mulheres. O partilhar ou guardar depende da sua personalidade, das vivências que tiveram ao longo da vida e das lições que aprenderam.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?

As pessoas, e não me refiro só aos homens, precisam de se tornar mais empáticas. Não são só as mulheres que são discriminadas, existem muitos preconceitos contra diferentes etnias, religiões, etc. A empatia permite-nos colocar no lugar do outro e entender, mesmo quando não se concorda. Por isso a empatia e a tolerância deviam andar de mãos dadas.

logoMComo podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

Esta é uma pergunta difícil. As mulheres são inimigas delas próprias, não são coesas, não são unidas. As mudanças vêm de dentro para fora. Talvez passe por educarmos as gerações futuras de forma a promover a igualdade entre todos, para sermos mais tolerantes e unidos.

logoMQual é o seu maior sonho?

Esta é fácil! Continuar a escrever e a publicar! Sonhos mais pequeninos: viajar muito, ter a minha casa, continuar a correr e escalar, poder resgatar mais animais de rua, poder contribuir para alterar mentalidades.

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