A Messejana da pós-modernidade

excorgitações

Sofia

Meus queridos leitores ouvintes, escrevo-lhes (leio-lhes) estas linhas com aproximadamente 75 graus (admito que talvez esteja ligeiramente menos, mas honestamente é a temperatura que sinto), perdida no alentejo.

Sim. Tropecei nos saltos, escorreguei na escada, bati várias vezes com a cabeça e quando despertei do coma achei que era uma boa ideia vir passar o fim-de-semana a Beja. 

Cheguei de Expresso, pelas 19h de sexta-feira, porque os comboios estavam em greve (depois lá me explicaram que a greve dos comboios para Beja é o estado usual) e, porque há anos que não me montava em um, fiquei agradavelmente surpreendida. O Expresso tinha internet, sauna, banho turco, aroma de Marrocos e estreei a excecionalmente nova autoestrada, com quase 10 km de cumprimento. Hoje, vir de Lisboa é imensamente mais perto. 

Fui jantar cervejas com amigos e informaram-me que Beja já tinha uma praia. Com água e tudo! E, como sou miúda que gosta de uma experiência nova, não resisti a ir molhar os pés e adjacentes. 

Por imbecilidade minha não tinha biquíni e não quis chocar demasiado as pessoas, pelo que fui ao Chinês da Bomba comprar uma coisinha minimamente composta para desfilar, mais uma toalha e uns chinelos. Só não comprei um chapéu de palha porque ninguém teve a decência de me informar que era outfit obrigatório. 

E, ganhei coragem para me meter no meio do olival, ultrapassar o matagal e, sem piadinhas, gostei do que vi. 

Quando digo que gostei do que vi refiro-me à cor da água e à textura da areia, como, achei encantador ver os barrigudos espalhados pelo areal, centenas de biquínis comprados na mesma loja que o meu e gente feliz com os joelhos de molho (se a praia fosse mais profunda, a metáfora provavelmente era mais interessante). 

Já sei o que estão a pensar: uma praia elitista, para concorrer com a Quinta do Lago, as Caraíbas e a Côte d’Azur seria o que Beja mais precisava? Penso que sim: o povinho pode perfeitamente continuar a ir para Monte Gordo naquelas excursões maravilhas, fazer aqueles deliciosos piqueniques espalhados pelo feno e, porque os 5 Reis só são acessíveis de Jipe, construir por lá uns bungalows de luxo, erigir uma marisqueira e tornar aquele espaço num retiro de agrobetos e ilustres da sociedade bejense. Uma espécie de Beja Gin Day, com direito a sunsets e percebes! 

Dito isto, vou dormir para a banheira e regresso em setembro.

2 opiniões sobre “A Messejana da pós-modernidade

  1. Costumo ler o que escreve, mas, desta vez, não gostei. Além de “gozar” com os frequentadores do espaço, mente quando diz que só se chega lá de jipe. Eu tenho um Seat Ibiza e já lá fui várias vezes, sem nenhum incidente. Fica sujo de pó, mas é habitual em mais estradas do Alentejo. Melhor do que vir tentar “humilhar” o que acontece em Beja, talvez fosse ficar pela zona de Lisboa e desfrutar das suas belas praias. Há pouco no Alentejo, mas poderia haver mais se os vários executivos autarcas não estivessem mais interessados em tachos noutros lados…. É assim que se vive no Alentejo, ou não reconhece a realidade? Pode ser que, na próxima vez que lhe apeteça ir molhar os joelhos, já veja outras qualidades no espaço. Uma boa semana 👍👍

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    1. Cara Célia, se costumas ler as excorgitações da Sofia deves perceber que este texto não foge, em nada, ao que nos tem habituado. Não houve, certamente, qualquer intenção de “gozo” no sentido que interpretas. Muito menos de “mentir”. São formas de estilo que a tornam única no Expoente M. Mas claro que és livre de acreditares ou não, e de interpretares como quiseres.

      Agora, claro, que não poderei silenciar-me quando dizes “se os vários executivos autarcas não estivessem mais interessados em tachos noutros lados…”, pois, como sabes, fiz, e ainda faço, parte do executivo autárquico (este mandato sem regime de permanência e sem pelouro, obviamente), precisamente na CMBeja e, apesar de não ser necessário, pelo menos para quem me conhece, nunca estive, nem estou, interessada em tachos! As generalizações são tão injustas como qualquer acusação infundada. Sei que para alguns é difícil perceber que há quem, e são muitos, felizmente, que se mova pelo interesse coletivo, tão só… poderia dizer mais umas coisas, mas não é costumo, e espero continuar assim, “justificar-me” nas redes sociais.

      Quanto ao blog, não me parece que os seus “frequentadores”, quer autores/as ou leitores/as se sintam “gozadas”.

      Há muito que nos distingue de outros portugueses, mas há uma característica que é mesmo uma das que mais aprecio: a capacidade de nos conseguimos rir de nós próprios.
      Viva o Alentejo e viva Beja!

      Boa semana para ti;)

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