Harvest Moon

O amor à sexta-feira!

Nádia Mira

Expoente M Rádio

Quando a Sónia me propôs escrever sobre música no blog Expoente M recebi o desafio com alguma resistência, afinal, apesar de gostar de música, tenho pouco a dizer sobre ela, como tenho, aliás, cada vez menos a dizer sobre todas as coisas. No que respeita à música, os meus conhecimentos técnicos são nulos, as minhas opiniões muito pouco fundamentadas e os meus gostos nada coerentes. Mas é difícil dizer não à Sónia, pelo que, depois de alguma ponderação, concluí que só existia uma abordagem possível – a do amor. A minha apaixonada e incoerente relação com a música e com a vida não se compadece com outro tipo de visão. E isso implicaria que fosse, sobretudo, irracional e visceral, falível e sem plano. A Sónia não me colocou balizas, e assim foi, durante cinquenta e uma semanas escolhi imponderadamente músicas que, por alguma razão, nesse dia, mais me soavam a amor. Hoje, na semana cinquenta e dois, um ano depois do início, não podia deixar de querer ouvir convosco a música que, acima de todas as outras, sempre me soará a amor.

“Harvest Moon” é uma música escrita e interpretada por Neil Young e foi o primeiro single do álbum homónimo, lançado em 1992. A canção foi escrita como homenagem à esposa do cantor e é um verdadeiro hino à longevidade dos amores. Hoje não vos cansarei mais com factos e curiosidades sobre o tema. Depurá-lo pode torná-lo menos aquilo que para mim é.

Hoje, o espaço fica todo para o amor. Para as longas relações ou para os breves affairs, para as conexões profundas ou para os flirts inconsequentes, para os amigos do peito e para as one night stand, para os casamentos, para os namoros e para os quase-namoros, para as paixões exacerbadas e para as que já só sabem navegar em águas serenas, para os afectos para a vida toda e para aqueles que só existiram na nossa imaginação. Um sentimento tão rico, plural, único e definidor da condição humana como o amor não poderia nunca ter uma única e acabada versão. É esta multiplicidade de ligações que nos engrandece e faz subir de interesse a parada da nossa vida. E ter a banda sonora apropriada é de uma ajuda inestimável à densificação das recordações que tais ligações deixam em nós.

Ao longo de cinquenta e duas semanas, escrevi muitas vezes a custo ou porque estava demasiado triste ou demasiado excitada, de coração partido ou enquanto afincadamente me colavam os seus cacos, sem vontade de voltar a amar ou sabendo que já era tarde para tal intento. Fechei e abri círculos que a música e o amor (ou a sua ausência) foram sempre pontuando.

Soa a despedida? Confere. Pelo menos para já, é uma despedida. A minha afeição pelo amor e pela música, no entanto, não diz adeus e voltarei a querer dançar. Havemos, então, de nos tornar a encontrar numa destas sextas-feiras… é que nisto do amor, meus caros, como escreve a Wisława Szymborska “Cada início é só continuação e o livro das ocorrências está sempre aberto ao meio”.

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