a senhora que segue: Sofia Paulino

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Sofia Paulino||Expoente M Rádio

Sofia Paulino é alentejana, e o seu tempo de vida divide-se em duas partes: 20 anos de Alto Alentejo e 22 anos de Baixo Alentejo, vivendo em Castro Verde.

Formou-se em Turismo, mas foi no trilho das artes que seguiu. É editora, autora e ilustradora. Conta com dois livros publicados, onde aparece como autora e ilustradora – “Contadeiras de Histórias” e “Contos ao Vento” (o primeiro já integra as listas do Plano Nacional de Leitura), e um terceiro como ilustradora – “O Planeta Mudari e os Mudarekos”.

Os seus livros estiveram expostos em Bolonha (na Feira Internacional do Livro Infantil) a convite da DGLAB, serviram de base para peças de teatro e estudos sobre literatura infantil.

Tem um projeto que liga as artes plásticas e a literatura chamado Contadeiras de Histórias®. É presença pontual em Bibliotecas, Escolas e outros espaços dedicados a artes e literatura, em que, além das apresentações, dá formação e oficinas de artes plásticas e ilustração. Participa em Festivais Literários, e tem feito exposições por todo o país. Foi uma das artistas convidadas da 2.ª edição da Senhora de Mim || Exposição no Feminino, em 2020.

Um dos projetos, o Grupo Narrativa, editora que engloba as publicações A Ferro e Aço, Simon´s Books e Sell Out, sediada em castro Verde, materializa parte das áreas a que se dedica Sofia Paulino, que gosta de culinária e vê o seu trabalho, que tanto prazer lhe dá, quase como um hobby.

Sofia Paulino valoriza essencialmente a vida, a família, os amigos, a natureza e a arte, não gosta “da mentalidade mediana que não analisa e que repete tudo o que ouve, como grandes dogmas da sociedade” e é a Senhora que segue no Expoente M.

logoMTem a vida que idealizava?

Não consigo responder de forma concreta, porque acho que nunca idealizei uma vida. Fui vivendo e o que idealizo ganha formas diferentes ao longo dos tempos. Luto pelo que acredito, mas aceito o que a vida me reserva, sem nunca esquecer que somos nós que escolhemos o caminho. De uma qualquer forma, temos de admitir que todos temos a vida que queremos, pois fomos nós que a escolhemos.

logoMA intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

A intervenção na sociedade é fundamental, só intervindo podemos lutar por aquilo que defendemos. Não podemos ser apenas seres passivos à espera que aconteça. Podemos ser mais ou menos ativos e com ativo não me refiro a nível político, mas a todos os outros níveis, nomeadamente o social, onde podemos integrar a saúde, a educação, a cultura, entre outros. A nossa atitude diária fará essa diferença.

logoMNo seu caso como a pratica?

Em primeiro lugar acho que podemos ir de uma intervenção micro para a macro, e cada um terá de desempenhar um papel  de acordo com a sua linha de atuação. Primeiramente estarmos integrados a nível local e sermos interventivos nessa esfera. No entanto,  podemos alargar a nossa área de atuação, no meu caso acho que a minha participação passa pelo meu trabalho, que me faz andar por todo o país, em escolas, bibliotecas, livrarias e espaços de artes, com um público maioritariamente de crianças, o melhor público para passarmos mensagens, e é o que tento fazer através da arte e da literatura, que mostram um mundo de possibilidade e não de estagnação e uniformização de pensamentos, assim como instigam à vontade própria e à confiança, ao acreditar.

Também passo uma mensagem de sensibilização para com o ambiente, pois trabalho com materiais reutilizados, e estimulo a criatividade através dos mesmos, o que acaba por ser uma forma de ver o mundo com outros olhos. Perguntarmo-nos o que podemos fazer com isto? E acaba por ser um ensinamento para a vida, que é  “faz com o que tens”.

Mas a intervenção é a de mexer com as cabeças das crianças e mostrar-lhes que podem fazer tudo o que quiserem, sem avaliações ou julgamentos, perder o medo de pensar e tornarem-se autónomos. E acho que isto faz deles adultos mais conscienciosos, mais libertos, e acima de tudo mais interventivos.

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar/social?

Esta conciliação não é fácil, mas como em tudo temos de estabelecer prioridades, e melhor quando estas se conseguem combinar de forma mais otimizada. Muitas vezes a vida familiar/social é prejudicada pela vida profissional, que rouba cada vez mais tempo às famílias, mas também cabe-nos  tentar gerir o melhor possível. Porque não são só os nossos filhos e familiares os prejudicados, mas nós mesmos, quando perdemos a noção do quanto necessitamos de pessoas à nossa volta para nos mantermos salutares mentalmente. Somos por regra animais sociais, e não me refiro ao virtualmente social, porque aí somos perfeitos na vida familiar e social (risos).

logoMNa sua vida existe equilíbrio entre a vida profissional e familiar/social?

Sendo trabalhadores independentes, pode parecer que podemos ter domínio sobre o nosso tempo, mas isso é uma ilusão. Acho que a gestão do tempo é uma das grandes calamidades das nossas vidas. No entanto, tento fazer  com que a gestão deste seja tomada a nível familiar e sempre a integrar um no outro. Ou seja, como casal, conseguirmos trabalhar juntos é assim uma forma de estar na vida. Por exemplo quando participamos numa Feira do Livro, estamos todos juntos, nós e o nosso filho, que nos tem acompanhado nestas andanças desde que nasceu. E participa dando a sua opinião , a qual respeitamos e que o faz sentir integrado neste nosso mundo.

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

Não, nunca senti tal. Se alguma vez aconteceu não o entendi assim, porque esse tipo de atitude está para lá da minha compreensão.

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

Não tenho muito essa perceção, como sou uma pessoa muito expansiva, por vezes demais (risos). Gosto de partilhar e de aprender com quem partilha, só assim podemos crescer.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?

Acho que o primeiro passo é o da não submissão, não se aceitar tudo o que são estigmas da sociedade. E em tudo o que fazemos não podemos agir como se já nos fosse negado algo. Nas nossas atitudes diárias é que podemos lutar. Não sou muito de manifestações  e grandes atitudes, quando não o fizermos como afirmação pessoal. Sou mulher, nasci mulher e, assim sendo, sempre me comportarei como tal. E numa única palavra englobo uma vida, cheia de outras palavras que me definem, mas nunca deixarei que limitação seja uma delas.

Só quando não nos limitarmos, podemos lutar por grandes causas.

logoMComo podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

Acho que já está respondido, na sua maior parte, na resposta anterior. Basta acreditarmos em nós mesmas e não acharmos que não somos capazes. Acho que a nossa a atitude perante a vida, mesmo que a nível pessoal, faz com que se forme uma onda gigante de defesa aos direitos da mulher. Obviamente falo pela experiência no nosso país, e que  realidade de países em que se praticam mutilações a mulheres, ou são subjugadas por lei a serem inferiores aos homens, têm de ter uma intervenção mais global, mais política, a nível da legislação, mas também a nível da mentalidades, pois muitas mulheres entendem estas atrocidades como tradição e mantém essa “tradição”, o que, por si, não deixa que se possa defender a causa das mesmas.

logoMQual é o seu maior sonho?

Não tenho um sonho. Tenho vários. Todos os dias sonho. E a minha máxima é, nas palavras do poeta, “Pelo sonho é que vamos…”

A nível profissional quero conseguir fazer muitas outras coisas dentro das artes e da literatura, quero escrever mais e quero criar dentro de outras áreas. Quero viajar e conhecer outros sítios. Quero ver o meu filho crescer e ser feliz. Ser feliz, não é sonho, porque considero-me uma pessoa feliz. Quero poder amar todos os dias, todas as coisas. Quero estar com o meu esposo e a minha família. Quero estar na natureza. Os meus sonhos são pequeninos, mas crescem todos os dias. E preciso de continuar a sonhar.

Contadeiras de Histórias

Grupo Narrativa

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