a senhora que segue: Carmo Miranda Machado

IMG-9556Carmo Miranda Machado (1966) é natural de Vale de Vargo, concelho de Serpa, distrito de Beja.

Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Católica Portuguesa e Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Universidade Nova de Lisboa, tem dedicado a sua vida ao ensino, à escrita e às viagens pelo mundo.

Vive em Lisboa onde é professora de Português há trinta anos numa escola secundária, na zona oriental de Lisboa, e é também formadora da área comportamental, tendo, ao longo da sua vida profissional, colaborado com grandes empresas como a Ana, Aeroportos, a Galp Energia, a PriceWaterhouseCoopers, entre muitas outras.

Publicou sob chancela da Editora Colibri, 5 livros: Entre Dois Mundos Entre Duas Línguas (2007); Eu Mulher de Mim (2009); O Homem das Violetas Roxas (2011); Rios de Paixão (2015) e Solidão d’Amor e Ópio (2019). Colabora ainda como cronista na Revista Mais Alentejo desde 2010, tendo ganho o Prémio Mais Literatura atribuído por esta revista nesse mesmo ano, e faz parte da bolsa de especialistas em Ensino da Revista Visão.

Carmo Miranda Machado assina a crónica “A Louca da Casa” no Expoente M e é a Senhora que se segue.

logoMTem a vida que idealizava?

Nunca se tem a vida idealizada… Conhecem alguém assim? Eu não. Julgo que temos a vida possível, embora devamos, diariamente, lutar pela concretização dos velhos sonhos. Contudo, não seria sensato lamentar-me… Tenho tudo aquilo de que preciso para viver.

logoMA intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos?

Claro que sim. Somos seres sociais e é nossa obrigação zelar pelos nossos direitos e deveres… Gostaria de ver mais mulheres na política, em cargos de chefia. Ainda estamos muito atrasados…

logoMNo seu caso como a pratica?

Como professora, julgo ter uma participação muito ativa na sociedade através do contacto com centenas de alunos anualmente. Tenho uma crónica no Jornal do Parque, o bairro onde vivo desde 1998, e tenho defendido isso mesmo, a necessidade de sermos intervenientes no nosso bairro, na nossa aldeia, no nosso mundo. Sermos polícias de nós próprios e dos outros – no bom sentido, é claro – chamando a atenção para atitudes de falta de cidadania que se verificam de forma crescente… desde o cocó do cão que o senhor não apanha, aos papéis atirados para o chão, ao lixo deixado ao abandono à porta do prédio mesmo quando existem condutas próprias para o efeito. Sofro com esta falta de respeito pelo próximo…

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar/social?

Uma canseira… pelo que vejo à minha volta. Porém, não me posso queixar. Não tenho filhos e por isso posso usufruir de uma enorme liberdade individual e social. Uso e abuso do meu tempo livre da melhor forma possível… (risos)

logoMNa sua vida existe equilíbrio entre a vida profissional e familiar/social?

Sim, existe. Procuro manter este equilíbrio embora não visite o Alentejo – onde se encontra toda a minha família – tantas vezes quantas desejasse…

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

Confesso que não. Passei a todos os meus alunos o documentário “Women” (aconselho a quem não viu) e dei por mim a refletir sobre a sorte que nós, mulheres, temos neste cantinho ocidental da Europa. Apesar de todas as situações preocupantes de violência contra as mulheres, de discriminação sexual, de todo o tipo de discrepâncias ainda existentes na igualdade de direitos entre homens e mulheres, desde muito cedo que assumi a minha própria vida, independente e livre das amarras culturais e sociais que a nossa cultura me queria impingir. Ainda mais para quem nasceu numa pequena aldeia na margem esquerda do Guadiana na década de sessenta…(risos)

Percebi, muito cedo, que temos de ser nós a fazer a nossa própria revolução…

logoMAs mulheres partilham pouco, guardam muito para si?

As mulheres são as piores inimigas de si próprias. Digo isto muitas vezes… Em vez de serem as verdadeiras aliadas umas das outras, quantas vezes não são as suas piores inimigas, as vozes críticas. Pensemos um pouco… Se ainda temos homens tão machistas, quem os educou? Quem os protegeu? Recordo-me, por exemplo, em minha casa, de nunca ver o meu irmão lavar a loiça. Nunca me conformei.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade?

Parece-me muito claro que o primeiro passo é a educação, a formação, o pensamento, a criatividade, o quebrar as amarras sociais e culturais… Depois a independência económica, ponto essencial para uma verdadeira revolução. E, por último, perder o medo. Não temer pensar e agir fora dos padrões tradicionais.

logoMComo podem as mulheres contribuir para a concretização dessa Igualdade?

Li algures que quando uma mulher se sente livre, o mundo escandaliza-se. E é tão verdade. A felicidade de uma mulher não depende do casamento, da casa e dos filhos… Tenho conhecido mulheres fantásticas sem filhos, solteiras, divorciadas, namoradas, amantes, seja lá o que for, mas livres… Eis o segredo para a igualdade: sentirmo-nos e mostrarmo-nos livres. Não acusar as outras mulheres. Não criticar. Tentar perceber a longa viagem que todas nós estamos a fazer… Vejam, por favor, o Documentário “Women”… Aborda todos os nossos grandes sonhos, frustrações e medos. Ao mesmo tempo, mostra quão simples e fácil é sermos felizes. Basta sentirmo-nos respeitadas… Desde os padrões de beleza, o casamento, o amor, o sexo/ a sexualidade, a homossexualidade, o divórcio, a maternidade, o aborto, a discriminação, a violação, a violência, a prostituição, a excisão, a casamento infantil, os tabus, a doença, a velhice, a guerra, o poder no feminino, está lá tudo… E a grande mensagem é simples mas forte: #Nous femmes nous pouvons#

logoMQual é o seu maior sonho?

Ui! Não quero ser rica… não quero um Mazeratti… não quero jóias caras… não quero uma vivenda… não sonho com um príncipe encantado. (risos) O meu grande sonho é ter tempo e dinheiro para poder viajar pelo mundo, ficar um mês aqui, dois meses ali… e pelo caminho, ir escrevendo os meus livros, enviando as minhas crónicas, olhando para o outro na sua diferença e enriquecer-me por dentro… Vivo diariamente com a clara noção da nossa finitude. Sei que tudo isto acaba mal… acaba mesmo muito mal… (risos)

Saber mais sobre o documentário sugerido AQUI

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