2020

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idos de dezembro

Sónia Calvário

Sónia Calvário||Expoente M Rádio

2020, o ano que se previa especial… foi especial…mente horrível.

O impacto catastrófico dos incêndios na Austrália, iniciados ainda em 2019, tornou visível, de forma ainda mais gritante, o problema das alterações climáticas e da irresponsabilidade da comunidade internacional que teima em não a combater: 30 mortes, cerca de 3 mil milhões de animais dizimados ou deslocados, milhares de hectares de terra queimados e, soubemos recentemente que quase metade de Fraser, a maior ilha de areia do mundo, classificada como Património da Humanidade, foi destruída.

O Prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de 500 mil euros, atribuído a Greta Thunberg, e por esta jovem ativista doados a 10 organizações ambientalistas, será um importante contributo para a proteção do planeta.

Por outro lado, a violência contra as pessoas também continuou a crescer e tornou-se ainda mais visível: a morte de um cidadão estrangeiro, à guarda do Estado Português, por elementos do SEF, que é um serviço de segurança e um órgão de polícia criminal, ou o homicídio de George Floyd ilustram bem esta situação, mormente quando perpetrados por quem compete proteger.

Crescimento que se verifica também noutras esferas da vida: desde a agressividade nas redes sociais e no espaço público, mas também no seio mais íntimo. Existem mais denúncias de violência doméstica do que no ano transato. São mais de 40 casos em média por dia. No final de novembro eram 30 as mulheres assassinadas, mais de metade em contexto de relação íntima.

Sabemos que a educação para a não violência é essencial e, neste campo, podemos ter esperança nas gerações vindouras, sendo disso elucidativo o filme realizado por uma turma do 4.º ano da Escola do Lagarteiro, no Porto, que venceu, na Grécia, o terceiro prémio do festival de cinema jovem.

A Pandemia e os confinamentos explicam parcialmente o escalar da violência e que originaram também o crescimento da pobreza e do fosso entre pobres e ricos. Aliás, a crise mundial, originada pelo coronavírus SARS-COV-2, enriqueceu os bilionários, lançou para a pobreza milhões e já fez atingir o maior número da História de pessoas com fome. São, para já, quase 140 milhões, dos quais muitos milhões são crianças.

Talvez por isto o Nobel da Paz deste ano tenha sido atribuído à maior organização humanitária do mundo, o Programa Alimentar Mundial, agência da ONU, que presta assistência a 97 milhões de pessoas, distribuídas por 88 países, e que conta com um português como Coordenador de Emergência.

Não se descure o papel preponderante do Desporto na promoção da Paz e da Igualdade, com destaque, naturalmente, para os Jogos Olímpicos, que foram, pela primeira vez, nos seus 124 anos de história, da era moderna, adiados. A alentejana Ana Cabecinha fechou, este ano, o ciclo dos participantes em Tóquio, nos Jogos do próximo ano.

Terminamos o ano com esperança que a vacina trave o cataclismo e que a colaboração científica global que esteve na base da sua descoberta encoraje à partilha e à solidariedade entre os povos, em tempos de crise, mas também quando regressar a “nova” normalidade, pois, certamente, nada será como antes.

E porque a alma se alimenta de esperança deixo uma sugestão musical, numa versão 2020, e que foi também um marco na vida de muitos de nós, desejando a todas e a todos um 2021 com saúde e força para lutarmos e ajudarmos a combater os obstáculos e as adversidades dos tempos que aí vêm.

Saber mais:
Filme Não Violência
Nobel da Paz 2020
Ana Cabecinha – Jogos Olímpicos de Tóquio 2021

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