Do inverno das coisas ao poente do infinito

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à primeira segunda do mês

Ana Fafe

Ana Fafe||Expoente M Rádio

2020 olhou para nós e disse: demonstra que podes, faz o que quiseres, mas não conjugues a certeza do certo. Depois, de muito remar nas vagas desajeitadas, chegámos ao abrigo, nas águas turvas, vislumbrando mais 12 longos meses para apagar dolorosas lembranças.

Quis a vida que não soubesse nadar e que, por contrariedade, conhecesse no mar, que só obedece à lua, os segredos da tranquilidade. Porque – há ondas que deixam fugir medos e marés que destratam ventos para assobiar diamantes na maresia – não se deve fazer balanços! Mas neste novo começo é inevitável pensar que não há mal para sempre.

O segredo está em esperar o ponto certo. E o que mais é a vida do que uma refeição que se pode servir fria, morna e outras vezes quente? “Longe e tão perto”, tal como diz o poema de Ana Fafe, que se transformou em canção, ficam perdas e ganhos de sorrisos escondidos no que nasceu antes e que ilumina o que se espera. Não sei dar lições. Olhando para o fraquejar dos dias que o cansaço já conheceu posso afirmar que o inverno das coisas terminou. Daqui para a frente só são aguardadas ternuras no poente do infinito.

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