Pãozinho para a boca do medo e vitamina para fortalecer os que o alimentam e dele se aproveitam.

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idos de janeiro

Sónia Calvário

Sónia Calvário||Expoente M Rádio

Janeiro iniciou com a esperança e a espectativa do milagre da vacina contra a Covid 19. Depois de um Natal com alguma liberdade e aspirações de que seria o início de um futuro próximo… depressa, porém, fomos chamados à realidade, com um aumento exponencial de casos de infeção e de mortes provocadas pelo coronavírus, a bater recordes diariamente. Previsível, diga-se, como já foi referido aqui no blog.

É pãozinho para a boca do medo e vitamina para fortalecer os que o alimentam e dele se aproveitam.

O que, a propósito, não permite passar ao lado de um episódio que ilustra bem aquilo que vamos assistindo por esse mundo fora: a invasão ao Capitólio e a postura de Donald Trump, que era, então, e ainda, o Presidente dos EUA. Lamentável e verdadeiramente preocupante a forma como eleitos estimulam o ódio e apelam à desordem, socorrendo-se de uma das técnicas da ação política que garante sucesso imediato: o populismo.

E, neste campo, Portugal parece ter mergulhado na onda. As últimas eleições presidenciais mostram, mais uma vez, como é fácil manipular o povo. Não tardaram em surgir teorias diversas e explicações para o facto de um candidato clara, diria até, orgulhosamente, xenófobo, racista e misógino ter obtido os resultado que todos conhecemos. Descontentamento, dizem alguns. Acredito que também o seja. Mas votar em alguém que não apresenta verdadeiras soluções e as que indica violam tudo o que significa viver numa democracia, num Estado de Direito e num Estado Social, e que permitiu a muitos dos seus seguidores e votantes “subir no elevador social”, portanto, eles próprios beneficiários desse sistema e regime que agora querem ver dizimados, não pode ser apenas voto de protesto. Havia alternativas para manifestar o descontentamento. Ainda que não o confesse e até o não queira admitir, apenas quem sente que há os bons e os maus, que deve existir uma hierarquia social, pode ter votado no autoproclamado Messias.

Estamos doentes. Não sei qual é a cura ou a vacina que impede o escalar desta doença da indiferença, da falta de empatia, da bipolaridade. Investir na educação certamente, ainda que o retorno seja a médio/longo prazo.

Mas sei que não ajuda se, e de um momento para o outro, a pretexto do combate à propagação da Covid, se encerra a rede Wi Fi, municipal e gratuita, para evitar aglomerações… de pessoas cuja única forma de contacto com os familiares é por esta via, sem sequer terem tido a oportunidade de os informar de que ficarão ausentes, e sem se saber até quando; nem contribui um município emitir um comunicado informando da deteção de um surto de Covid numa minoria étnica, identificando-a, e que, por isso, em parceria com outras entidades e as forças de segurança, se encontra a fazer uma apertada vigilância, de forma a garantir que seja cumprido o obrigatório isolamento.

Como também não favorece a falta de ética de alguma classe política, sem que os prevaricadores sejam exemplar e veementemente responsabilizados e banidos, pelos seus pares, da esfera pública.

Há precisamente um ano escrevia, nesta rubrica, que, e cito, «Os anos 20 deste século (…) iniciaram dando continuidade ao que temos vindo a assistir de forma crescente: o planeta a sucumbir, o fosso entre pobres e ricos a crescer, os tentáculos da corrupção a alastrar, os extremismos a disseminar». Tudo se agravou.

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