DO MILAGRE PORTUGUÊS AOS DESISTENTES INCONSCIENTES!! – Enquanto os desistentes forem demasiado livres, a liberdade dos lutadores continuará condicionada!

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à primeira segunda do mês

Sara Chiolas Mesquita

Sara Chiolas Mesquita||Expoente M Rádio

Em 2020, a Europa olhava para Portugal como um verdadeiro Milagre face ao baixo número de casos de infetados e mortes causados pela COVID-19 que apresentávamos, comparando com os restantes países europeus.

Decorrido já um mês do ano de 2021, somos agora o pior país do Mundo em número de mortes causadas pela pandemia.

O que é que mudou?

Não foi o Governo, não foram os profissionais de saúde, não foram os “da linha da frente”, não foi o vírus, não foi o tempo. Fomos nós, portugueses!

O início de 2020 não correu bem por se tratar de um Milagre. Milagre é outra coisa!

2020 correu menos mal porque todos fizemos por isso. Ficámos em casa da forma que era possível, não estávamos com amigos ou familiares, não andávamos com máscaras no queixo, não procurávamos as exceções às medidas restritivas, nem achávamos que éramos impenetráveis pelo vírus e que só acontecia aos velhinhos.

É verdade que a atuação do Governo, em geral, e do Ministério da Saúde, em particular, tem sido reprovável. Não nego.

Sou a primeira a apontar o dedo, ao mesmo tempo que penso que não quereria estar naquele lugar.

Toda a gestão desta pandemia tem sido tipicamente portuguesa: feita na base da gestão do prejuízo – os típicos cábulas que esperam para ver o que os outros países fazem e dizem para replicarmos; o pensamento político a gerir a nossa saúde e a nossa vida.

Tudo isto é verdade e os representantes do nosso país têm culpa, sim!

Mas são os únicos?

São eles que andam para aí a disseminar o vírus cada vez que falam ao país?

NÃO!!

A culpa é nossa!

É nossa porque deixámos, não de ser crentes, mas de ser conscientes.

Um ano depois, ainda se assiste a este tipo de comportamentos:

“- Lavaste as mãos?

– Ah, eu vim de casa, não toquei em nada!”

Quando, na verdade, já tocaram na porta de casa ou do prédio, no volante do carro, na máquina do parquímetro e no telemóvel que nunca é desinfetado – higienização das mãos: chumbado!

Continuamos a ver pessoas a tossir para a mão, sem lavá-la de imediato, claro, quando não é para cima de alguém – etiqueta respiratória: chumbado!

Máscaras abaixo do nariz ou no queixo: chumbado!

E o mais importante: 2021 não está a funcionar porque o distanciamento físico está totalmente comprometido!

Deixou de se ter medo de estar com outras pessoas e ouvem-se coisas como:

“- Não tenho estado com ninguém”

“- Somos só 5”

“- É na boa, isto não é aquilo tudo que pintam. Só nos querem assustar!”

Um ano depois, com os números que estamos a atingir e com os cuidados de saúde a atuar em contexto de guerra, como é que ainda é possível abrir as redes sociais e ver jantares e convívios em casa de uns e de outros?

A lógica de transmissão do vírus não é difícil: o que diz que “somos só 5”, esteve há dias noutro jantar em que eram só 4. Um desses 4 estava infetado. Não lavou as mãos porque tinha vindo de casa e não tinha tocado em nada, apesar de ter ido ao multibanco levantar dinheiro. Também não usou máscara porque estavam todos em casa e não era preciso. À mesa, falou com o restante grupo, tendo libertado partículas contaminadas na direção dos restantes.

Resultado: 1 jantar, 4 infetados.

O galifão social, ora infetado, que teve o jantar em que eram só 5, teve o mesmo comportamento que o seu outro amigo.

Resultado: 2 jantares, 8 infetados.

Estes 8 infetados, por sua vez, têm família e trabalham. O trabalho não lhes permite (ou eles não querem porque isto é tudo uma palhaçada) exercer as suas funções em teletrabalho.

Resultado: 8 famílias e 8 locais de trabalho infetados.

As famílias destes 8 inconscientes também trabalham, e os colegas de trabalho dos 8 inconscientes também têm família.

É fácil fazer o exercício, não é?

Então, está na altura de descermos à terra e percebermos que só quebrando o contacto físico é que vamos conseguir controlar esta pandemia. Não é à procura de romper as exceções ou a apontar os dedos às medidas adotadas pelos nossos governantes que vamos conseguir controlar o vírus.

Sem distanciamento, não há milagre que nos valha!

Não é a olharmos só para os nossos interesses que vamos conseguir. Isto é uma luta conjunta, e cada um tem a sua função, e a nossa, no meio desta guerra, é a mais fácil.

Quanto mais depressa nos afastarmos, mais depressa voltaremos a estar todos juntos.

Isto é lógico, não é preciso esperarmos que o Governo o diga. Só dependemos de nós e uns dos outros. Resta-nos estar unidos, todos a remar para o mesmo lado!

Chega de nos dividirmos entre aqueles que se privam de tudo e os que não se privam de nada.

Sei que é difícil não estar com os nossos, não abraçar os pais e os avós ou não ter jantaradas ao fim de semana com amigos. Mas é a única forma.

E isto não é de agora. É desde Março de 2020.

A diferença?

Alguns desistiram! Foram fracos e entregaram-se ao vírus, ao “já não quero saber”. Voltaram a ir visitar os familiares e a jantar com amigos.

Graças a esses, os lutadores ainda não conseguiram estar com os seus, e estão há um ano sem abraçar e sem jantaradas.

Apetecia-me dizer aos desistentes que eles e os que eles infetaram serão os últimos da lista de espera para a prestação de cuidados de saúde, mas desistir deles far-me-ia igual a eles.

Além da saúde, também a educação precisa de investimento, pois um bom nível de instrução faria com que os desistentes inconscientes percebessem coisas tão simples como o ciclo de transmissão de um vírus!

Os inconscientes instruídos, são só egoístas. E esses, podem bem ir para último lugar nas filas de espera ou para uma ilha porque, definitivamente, não sabem viver em sociedade!

Enquanto os desistentes forem demasiado livres, a liberdade dos lutadores continuará condicionada!

Não sejam inconscientes, nem básicos desistentes!

Mulheres com garra… não desistem!!

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