Marias voltadas ao avesso em tempos de confinamento

fevereiro

Marias

Leopoldina Pina de Almeida

É este o tema do EntreMarias de fevereiro. Mas se tudo está voltado ao avesso, porque é que as Marias não estariam também? A vida estagnada, eutrofizada, já começando a cheirar a podre por todo o lado. Mais nuns lados, do que noutros. Mais para uns e umas do que para outr@s. O interior esquecido e que só aparece nas montras por incêndios, desertificação, resultados eleitorais improváveis. E então surge a corrida em busca de soluções apressadas, sempre à superfície, porque é a superfície que aparece. Os retângulos só têm 2 dimensões. Não há interesse em mostrar densidades complexas, nem texturas diversas. Isso leva tempo. Mais de um minuto. Ninguém vai ver, ninguém quer saber.

O mundo inteiro visto num retângulo que, mesmo p(l)asmado, não ocupa mais de umas polegadas, e que na maior parte das vezes até cabe na palma da nossa mão, transmitindo a ilusão de que conhecemos tudo como a palma da nossa mão (?). Po(sta)mo-nos a lançar comentários, entre gostos e desgostos, consumindo indiscriminadamente mortes, cosmética, violência contra as mulheres, produtos verdes, resultados eleitorais. E fica tudo chocad@! Como pode isto acontecer? O que correu mal aqui, ou melhor, LÁ, com @s outr@s. E o que tem tudo isto a ver com tudo o resto? O que têm as Marias a ver com tudo isto? Pois é. A Vida é todos os dias. E a vidinha também. É tudo isto e mais alguma coisa. E é essa mais alguma coisa que também continua muito mal distribuída entre nós.

Relativamente ao anterior confinamento, no estudo O Impacto Social da Pandemia, um dos itens em análise foi precisamente o problema da conciliação família-trabalho. Antes de mais, são maioritariamente as mulheres a considerar esta questão como um problema, o que desde logo é significativo. A realidade foi que a acumulação de tarefas acentuou as desigualdades de género em alguns casais, sobrecarregando as mulheres trabalhadoras, que vivem em famílias com filhos menores e/ou em famílias complexas, com várias gerações em coresidência, onde a conciliação entre as vidas profissional e familiar se tornou ainda mais difícil de gerir.

Apesar do cenário do atual confinamento ser diferente, os desafios que se colocam aos indivíduos e às famílias são neste momento muito semelhantes. Será que realizámos algumas aprendizagens significativas? Será que vamos continuar a penalizar sempre @s mesm@s? A mudança (s)urge nos corpos silenciados, dentro das casas isoladas e saturadas, num país a afundar-se com o peso excessivo do litoral, num mundo de velocidades alienadas e superficiais, que não está a conseguir travar a tempo de impedir um choque frontal com realidades profundas.

Inscrições AQUI

PHOTO-2021-01-29-23-14-58

Uma opinião sobre “Marias voltadas ao avesso em tempos de confinamento

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s