Marias “apanharpapéis”

Entremarias março

Marias

Leopoldina Pina de Almeida

Antes de começar a apanhar os papéis, vou baralhá-los um pouco. Tenho entre mãos muitos papéis. Tod@s temos, claro. Estatisticamente mais nós, as Mulheres. Diferentes, coloridos, desorganizados e exigentes papéis, onde tentamos ser perfeitas, ou assim a sociedade nos exige. Mas curiosamente, os papéis que agora tenho entre mãos são todos do mesmo tamanho, juntos, brancos, muito ordenados, com letras impressas e estão envolvidos por uma capa cor de terra barrenta onde posso ler Sementes ao Vento, Tim Bowley, Contos do Mundo. Por esta ordem, de cima para baixo, da esquerda para a direita. Já lhes tinha perdido o rasto, mas fui encontrá-los numa estante cá de casa. Quis voltar a ler o conto “Sir Gawain e a Dama Repugnante”.

A primeira vez que ouvi este conto foi na voz de um homem, numas Palavras Andarilhas, há alguns anos. Ouvi-o pela segunda vez há poucos dias, pela voz de um outro homem. É baseado num popular poema arturiano do século XV. A pergunta à qual Artur teria um ano e um dia para responder, sob pena de o outro cavaleiro lhe arrancar o coração, continuava a deixar-me intrigada.

“O que desejam as Mulheres mais do que tudo?”

Fiquei atenta à espera da resposta final, como tinha ficado da primeira vez. Para mim, todas as muitas hipóteses que se iam alvitrando ao longo da estória me pareciam plausíveis, embora soubesse que não eram a resposta correta, a única que faria sentido. “Não importa o número de respostas. Não serve de muito se não tiverem a resposta correta!”

Mas, o que desejam afinal as Mulheres mais do que tudo? Agora, em 2021, precisamente um ano após o registo do primeiro caso de covid-19 em Portugal – em que a maioria de nós pensaria que seria um episódio já ultrapassado por esta altura – e uma semana antes de ser comemorado o Dia da Mulher – que seria igualmente uma data já não tão pertinente hoje em dia, pelas batalhas supostamente ganhas.

Esta Oficina do EntreMarias de dia 6 de março, pretende ser uma conversa baseada no testemunho das Mulheres que nela participarem e no que terão para partilhar sobre o que é isto de levar a vida “apanharpapéis”. O mote tem como ponto de partida a reflexão da jornalista Ana Elias de Freitas e, no decorrer da conversa, logo veremos se, ao longo de todo este tempo, temos andado “apanharpapéis” ou “apanharbonés”.

É verdade, e não se esqueçam de procurar a resposta à pergunta do conto. À semelhança da situação pandémica de há um 1 atrás e do início das comemorações do Dia da Mulher há 110 anos, esta resposta com 6 séculos ainda se mantém atual.

Inscrições: mariasentremarias@gmail.com

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