Inveja à primeira vista

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A Rosa

Madalena Palma

Quando me predisponho a escrever-te, Rosa penso sempre no que sinto.

A ansiedade das demoras tardias dá lugar a um sentimento de gratidão permanente.

Quando diariamente trabalhas em prole dos outros, vendo nascer um sonho de anos e sentindo que essa é a tua missão e não o teu trabalho propriamente dito com remuneração (que já estava mais do que na hora de chegar), horário, hierarquia e papéis, sabes que os teus dias não são reféns de rotinas mas sim de momentos.

Daí vem também o sentimento de gratidão para com aqueles que facilitam os dias, aliviando, partilhando e fazendo parte do caminho nem sempre fácil e tantas vezes quase impossível.

Nunca desistir foi sempre o mote da travessia no deserto em que partilhámos um cantil com 4 gotas de água para a imensidão do caminho e da aridez de quem sempre nos disse que seria inglório e impossível. Foi daí que nasceu o conceito de inveja à primeira vista enquanto a cada dia nos apaixonávamos de cada passo e de cada conquista. “E os passos que deres nesse caminho duro do futuro dá-os em liberdade e enquanto não alcances não descanses. De nenhum fruto queiras só metade.” E nós não queremos metade nem queremos tudo. Queremos apenas continuar a sentir este olhar quente de quem nos ouve tratar pelo seu próprio nome ou quando perguntamos pela família nomeando cada um dos elementos. Sentimento de ver trabalho acontecer sem andar a reboque de papéis e formulários e marcações e esperas intermináveis porque nada é para hoje e tudo é para quando for possível.

Sentimento contínuo de revolta quando vãos de escadas já não servem para guardar baldes e esfregona mas sim para montar uma ou duas camas.

Sentimento de saudade quando passamos dias sem ver os “nossos bebés”. De felicidade e lágrimas nos olhos quando nos mostram vídeos da família e de como os filhos estão crescidos.

De descoberta quando batemos a uma porta sem saber o que vamos encontrar mas com o carro preparado para o que for necessário.

Andar na rua, procurar, conversar, conhecer, ouvir, falar.

Ouvir da restante equipa um sentimento sincero de agradecimento pela gratidão que sentem por quem ajudam mas também por se sentirem parte integrante de algo único. Sim é único.

Rosa, estamos a construir algo único que nos orgulha. Que está a deixar marcas não só aqui mas além fronteiras.

Por isso é que, quando nos disseram que não íamos conseguir, que ia ser impossível, e agora nos dizem que nunca pensaram ser possível, pergunto: porque raio haveriam de duvidar sem nos conhecer?!

O caminho está a fazer-se e está a deixar pegadas. Está aberto a que caminhem connosco quem tem como missão ajudar o próximo sem necessidade de mostrar que o faz.

E há tanto para fazer neste campo. Tanto para dar.

Só é pena que as pessoas não conheçam as suas próprias capacidades e potencial porque a gratidão e o altruísmo não podem estar dependentes da falta de tempo. Há muita forma de ajudar e nós também para isso estamos aqui.

Sim Rosa, eu sei que lá em cima falei, ao de leve, do conceito da “inveja à primeira vista” e não aprofundei. Mas é simples: é quando a pessoa olha para ti e sem te ouvir e conhecer franze logo o sobrolho esquerdo e emana uma energia que percebemos logo que dali só saem palavras baças. Isso acontece quando o preconceito e o lixo que ocupa a cabeça tolda o pensamento. Leva a que mais tarde ouçamos expressões como “não tinha nada esta ideia sobre ti”, ao que respondemos “e sem me ouvires e conheceres tinhas já uma ideia minha porquê?”

Rosa ajuda-me a passar a mensagem de que o comportamento que têm connosco não pode ser baseado na diferença de características e qualidades que nos atribuem sem nos conhecer. Todos nós somos muito mais do que mostramos e tantas vezes para melhor. Vivamos em paz, com boa energia e mente livre porque ainda vamos no início. E a porta está aberta.

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