Sofia já encontrou o Nemo e agora vai procurar a primavera

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Sofia

Sofia||Expoente M Rádio

Eu gosto desmesuradamente da Primavera. Também gosto da Carla, da Márcia e da Patrícia, mas de todas a minha preferida é a prima Vera. Gosto desta sensação de desabrochar, das florinhas nos campos verdejantes do por-do-sol alaranjado a fazer o amor com o horizonte, porque linda é a poesia, a dança e da erva-perceveja, mas o que eu quero realmente é beber cerveja.

Não sei qual a posição das minhas amigas sobre os postigos mas desde já vos afianço que sou fanática. Logo no primeiro dia que os Deuses do Covid me permitirem vou embebedar-me no primeiro postigo que servir caracóis, ou tremoços ou pastéis de bacalhau, porque o que eu quero realmente é um branco bem fresquinho. Por mim, podem servir lampreia, cozido à portuguesa, aquele meu vizinho mal casado do prédio da frente ou ensopado de borrego que depois de meses a comer no pacote quaisquer almondegas fora de casa sabem a caviar. Aliás, até já comecei os treinos e logo na primeira segunda-feira do resto das nossas vidas fui às seis da manhã para a bicha da cabeleireira, que tinha uma fila imensa, na terça tratar das minhas tristes unhas e na quarta fui fazer a depilação com uma rebarbadora, e depois comprar uma meias e umas cuecas no postigo da modalfa, para desconsolo de uma velha com ar de vacinada que olhou para as cuecas que comprei com ar de “´se é para usares isso, mas vale deixá-la a arejar”.

 Mas comprei-as. Porque me esqueci de casar com um político, esta semana vou ao centro de saúde mendigar por uma vacina e achei que devia levar a indumentária adequada. E se anda tudo feito esquisitos com a vacina da astrazeneca eu aceito, até me podem dar meia dúzia, seja oral ou com uma pica no rabinho, porque uma mulher desesperada aceita tudo e não chora.

 Vou confessar-vos uma coisa: até meti férias. Na primeira semana dos copos nos postigos e esplanadas do meu mundo vou comer ainda mais porcarias do que naquela semana em lloret del mar; que o vírus me penetra as entranhas se algum dia vou chegar a casa sóbria. Se tudo correr como planiei vomitarei alcoolizada todos os dias na luta pela liberdade, contra a tirania das máscaras e das lojas fechadas. Porque não aceito que me roubem os meus direitos, que ataquem a minha liberdade, que me soneguem a liberdade pelas quais os meus pais e avós quase deram a vida.

Está na hora de dizer basta e de nos revoltarmos contra esta tirania mentecapta; por mim, este é o momento de nos levantarmos desta letargia e devolvermos novamente o poder ao povo. E só não vou para a rua neste instante, porque estou a ver uma série na netflix e uma miúda tem de ter prioridades e como todos sabemos isto das revoluções tem de ser feito num horário conveniente.

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