No umbigo

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A Rosa

Madalena Palma

Como se escreve algo quando a cabeça está tão cansada?

A resposta é simples. Da mesma forma que tantos escrevem com a cabeça cheia de lixo e preconceitos ou ideias preconcebidas. E escrevem na mesma.

Presentemente, estou extremamente cansada. As sequelas da porcaria da covid, a luta dos dias, o corresponder aos planos traçados, o esticar das horas ao mesmo tempo que arrasto os pés, levam-me a nem sequer conseguir gramar o meu reflexo.

Para trás ficam as chamadas pendentes, o ter tempo para os amigos, a calma dos dias. Mas agora não é possível que seja de outra forma. A vida é curta e sinto-a a fugir atrás de mim, a apressar-me para que mais lá à frente consiga descansar em terra firme. Agora ando num mar revolto e não há tempo para parar.

Por isso me apercebo quando olham para mim e me perguntam como estou. Porque é verdadeiramente notório o cansaço. As olheiras chegam à alma e a rugas parece que se cravam na pele (maravilhosamente hidratada, é o que vale) desenhando sulcos. Mas garanto que as rugas destes últimos meses é das gargalhadas que teimam em fechar os olhos sempre que as liberto.

Estou cansada mas bem. A atingir a felicidade que procurava. Felicidade que se encontra na paz das concretizações. Sem pisar, ultrapassar, mentir, escamotear, ludibriar ou enganar seja quem for.

Na paz, mesmo.

Talvez por isso tenha cada vez mais dias em que tenho uma paciência infinita, em que estou a 45 rotações. Observando o mundo lá fora como se fosse através de uma montra, distante.

Calham bem esses dias serem aqueles em que sorrio e aceno quando a vontade é de bater com cabeças na parede até que salte o neurónio que é residente único em muitos cérebros.

Nesses dias é armazenar informação. E tomar decisões.

E seguir caminho. E é assim que as coisas acontecem. Na luta dos dias, no surgir de coisas feitas na boa-fé, na verdade e transparência e na certeza de que basta apenas soltar um ligeiro esgar se algum dia na vida alguém me disser que tive sorte neste caminho que decidi para mim.

Sorte é estar pronto quando a oportunidade vem e aí ninguém me apanha desprevenida.

Mas o que aqui se passa é trabalho árduo e esse garanto-vos que dá frutos.

Rosa, desculpa, mas hoje falei de mim.

Foi para desenjoar. (Ou não!)

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