A QUEDA DA HEGEMÓNICA SUPERLIGA EUROPEIA

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ars athletica

Sara Mesquita

E se no mês passado este espaço era dedicado aos avanços da legislação portuguesa para alcançar a equidade da competição no futebol através da centralização dos direitos de transmissão televisiva, multimédia e demais conteúdos audiovisuais, este mês não podíamos deixar de censurar os largos passos que foram dados para trás neste sentido a nível europeu.

No passado Domingo, dia 18 de Abril, foi oficialmente anunciada a criação da Superliga Europeia por 12 clubes fundadores: Real Madrid, Barcelona, Juventus, AC Milan, Arsenal, Atlético Madrid, Chelsea, Inter, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham.

Começando pela nomenclatura da competição, podemos afirmar que de “Europeia” esta só tem mesmo os clubes fundadores, já que o modelo da competição foge muito aos princípios da União Europeia e do modelo desportivo europeu.

Primeiro, porque o acesso à competição é feito por referência a uma dualidade de critérios:

  1. Ser um dos clubes fundadores (12 clubes) = Ser um clube com capacidade financeira em 2021;
  2. Qualificação (8 clubes) = Mérito desportivo

Segundo, porque o modelo europeu está hierarquizado de forma a que cada entidade (federações, clubes, participantes) tenham o seu papel ativo nas competições, cabendo, por exemplo, às federações (UEFA) a organização e fiscalização da competição e aos clubes o apuramento e a participação na competição.

O que estes 12 clubes pretendiam com a criação da Superliga “Europeia” era organizarem uma competição, em que estes seriam a maioria dos clubes participantes – já que apenas 8 dos 20 clubes teriam acesso à competição pelo mérito desportivo – para desta forma garantirem a sua participação na competição que seria financiada pelo banco de investimento norte-americano JPMorgan.

Esta tentativa de desvirtuar completamente o mérito desportivo, o espetáculo desportivo e a competição tem uma expressão irónica atual, com os resultados apresentados dos 12 clubes fundadores, estando mesmo 6 deles em risco de garantir o acesso às competições (oficiais) europeias na próxima época. Note-se, pelo mérito desportivo.

Pois, parece que nem a capacidade financeira lhes permite os melhores resultados desportivos.

Depois da ganância, eis que alguns dos dirigentes dos clubes fundadores começaram a desinchar e a descer à terra para ouvir as massas associativas.

Mais do que a UEFA, a FIFA e as federações nacionais, os sócios dos clubes participantes manifestaram-se e mostraram o seu desagrado pela criação da Superliga Europeia nestes termos.

Dia após dia os clubes fundadores foram abandonando o projeto, sendo os primeiros os clubes ingleses.

Atualmente, a Superliga Europeia encontra-se apenas alicerçada por três clubes fundadores: Real Madrid, Barcelona e Juventus.

Aliás, a Juventus só é 3.ª na hegemónica Superliga Europeia ….

Parece que começam a ser cada vez mais comuns os temas que unem os adeptos do futebol, sendo este mais um deles.

E este é mais um motivo pelo qual os clubes não devem ser totalmente detidos por investidores privados, devendo os sócios manter a sua voz ativa.

Mulheres com garra… gostam de vencer pelo mérito!!

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