Sofia, quase a comer no restaurante…

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excogitações

Sofia

Como é evidente, também eu marquei um jantar para o primeiro dia de saída precária.

Num restaurante amoroso em que a comida é quase tão deliciosa como os empregados, no segundo seguinte ao PM anunciar a data da alforria, liguei para o restaurante do costume e reservei mesa para quatro amigas.

Mas o problema das coisas evidentes é que nem sempre são simples. Assim, se marcar mesa para 4 maravilhosas mulheres apenas custa uma chamada telefónica, o drama foi escolher as outras três doidas que me iam acompanhar. Sim: aqueles que acham que escolher um gajo para levar ao casamento de uma prima tonta é complexo é porque nunca que tiveram de escolher 3 gajas de entre todas as amigas.

Pelo que, decidi adiar a rentrée para duas semanas depois, quando já era legal sentar seis bonitos rabos na esplanada. Mas, claro que quando comuniquei o plano, uma delas estava constipada e recusou-se a comer na esplanada e outra impingiu-nos o novo namorado por receio que alguma vesga lhe achasse piada. Assim, voltei a ligar e marquei duas mesas de quatro, na parte de dentro. Sucede que uma delas é covidofóbica e recusa-se a comer no interior, pelo que remarquei uma mesa dentro e outra fora. E, como uma estava fora, havia mais dois lugares, pelo que dois dos maridos também fizeram questão de ir, porque os homens são muito liberais com as mulheres dos outros mas vivem em pânico de ser transformados em cabides. Sucede que depois uma delas terminou o namoro e outra arranjou novo amor, convidei mais duas, mas uma delas está de dieta.

Assim, aparentemente éramos dez, seis para fora quatro para dentro, mas, dois dos de dentro eram fumadores e exigiram ficar fora. Porque nos chateámos, duas desmarcaram e farta de gajas convidei um amigo macho. Mas, desconfio, não era assim tão macho, porque apareceu com um engate novo que era vegan e evidentemente se recusou a ficar no exterior onde grelham a carne.

Pelo que, não fumadores e vegan para dentro, fumadores para fora, duas mesas lá dentro, mais uma de quatro fora (e, esclareço, quando digo uma de quatro lá fora não me refiro a mim própria mas ao número de convivas por mesa), e o jantar que estava marcado para as oito e meia passou para uma matiné às sete da tarde, porquanto já não havia mesas para todos no primeiro horário escolhido.

Com a mudança de horário, três pessoas não puderam ir e quando informei o dono do restaurante, desligou-me o telefone na cara.

Pelo que, escrevo estas linhas sexta-feira à noite, depois de três horas no cabeleireiro, uma na manicure, duas na depilação porque me sentia otimista, com um lindo vestido vermelho, sentada sozinha na minha varanda a beber uma mini e constatando que o mais interessante para fazer no primeiro fim-de-semana pós prisão domiciliária é escrever a crónica que a Sónia me pediu.

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