Os idos possíveis

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idos de abril

Sónia Calvário

Confesso que apenas depois de uma enorme luta interior e a confirmação do que já sabia…de que não é, para mim, um prazer não cumprir um dever, resolvi escrever estes idos de abril. Não que escasseie assunto…mas uma terrível preguiça de traduzir para texto o que me vai na alma tomou conta do meu corpo, durante grande parte do fim-de-semana. É a segunda ou terceira vez que me acontece, nos últimos 25 anos. Na verdade, as últimas semanas foram mais esgotantes do que o habitual… quem trabalha, é mãe e dedica tempo e mente a algumas causas entenderá, certamente, a que me refiro.

Quase todo o mês de abril se falou do Caso Marquês: da decisão do Juiz de Instrução de deixar cair 172 crimes, dos 189 que constam da acusação do MP, e no quase espanto que causou na opinião pública; depois a legislação sobre o enriquecimento ilícito, digo injustificado (que não podemos ferir suscetibilidades), e a novela sobre as diversas tentativas, nos últimos quase 20 anos, de penalizar a conduta, com acusações, dentro do PS – o tal partido que sempre obstaculizou a criminalização – nomeadamente por parte de uma ex-ministra a um fundador e histórico do partido, ex-ministro, que o afirmou publicamente.

Em abril, o mês da Prevenção dos Maus Tratos na Infância, foi divulgado o Relatório da APAV que dá conta de que “pelo menos uma criança por dia é vítima de abusos sexuais”. Também várias mulheres têm vindo a público denunciar situações de assédio sexual de que foram vítimas, apontando as estatísticas de que são 79% as que afirmam já terem passado por este flagelo. No universo do ensino superior o número atinge os 94,1%!

Cá pelo burgo iniciou a campanha eleitoral, com as movimentações do costume, o enaltecimento da mesquinhez e a falta de honestidade intelectual a que já nos fomos habituando. A “noite da liberdade”, na minha cidade, não teve “honras” com foguetes, nem sequer de uns morteiros. Mas, pasme-se, fomos “brindados”, no final do mês, com a notícia de que o Cante vai ser revitalizado, pelo Ministério da Cultura, com um projeto, o Cantexto, o que, sem prejuízo de ser positivo, na sua globalidade ou quanto a alguns aspetos – assim esteja disponível para que o possamos avaliar –  suspeito que não tenha sido delineado com a colaboração ativa dos cantadores e cantadeiras… mas isso sou eu a pensar em alto, considerando que a elevação do Cante a património universal nunca foi acarinhada pelo partido que domina atualmente o espectro político da região. Aguardemos, então, para perceber do que se trata efetivamente e se não é, mais uma, manobra pré-eleitoral.

E, claro, a Covid e as fases do desconfinamento foram também assuntos importantes em abril. Espero agora por uma ação de sensibilização eficaz, nomeadamente ao nível local, para que todas e todos fiquemos cientes de que está efetivamente nas nossas mãos, como indivíduos e membros de uma comunidade, de, com gestos simples, tentarmos que não se volte atrás, que o nosso débil tecido empresarial possa recompor-se, que o desemprego e a pobreza sejam minimizados ao máximo.

Por isso, ânimo e força! E não se esqueçam da máscara, do distanciamento físico e da higienização das mãos, regular e sempre que necessário. Desconfinar responsavelmente é o que se pede. E eu vou decididamente fazê-lo, nomeadamente com o FITA.

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