Mês de Maio

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à primeira segunda do mês

Teresinha Ramos

E porque estamos no mês de Maio…

Maio é o mês em que os advogados comemoram o nascimento do seu padroeiro, São Ivo (19.05), conhecido como advogados dos pobres, a quem foram atribuídas muitas qualidades tais como a defesa da justiça e da dignidade humana, em prol dos mais necessitados.

Maio é também o mês em que se comemora o dia do trabalhador, que nos relembra a todos a luta mundial de milhares de trabalhadores, pela redução da elevada carga horária de trabalho a que estavam sujeitos, em prol de um capitalismo cego e do enriquecimento de alguns em detrimento do sacrifício de muitos mais.  É assim um mês comemorativo de muitas vitórias do proletariado e da luta que ainda hoje é tão necessária à salvaguarda dos mais elementares direitos de quem produz a riqueza de um País.

Maio é também o mês em que se comemora o dia da mãe em Portugal, sendo este mês, segundo os dogmas da igreja católica, o mês de Maria, mãe de Jesus.

Parece-me assim ser o mês ideal para responder ao convite da minha amiga e colega Sónia Calvário, e procurar compreender e disseminar o significado destas 3 palavras chave – o de ser advogada, trabalhadora e mãe.

Tendencialmente como sabem as profissões ligadas ao direito desde sempre estiveram reservadas ao género masculino e em Portugal, apenas em 19 de Julho de 1918, se tornou permitido às mulheres o exercício desta tão nobre profissão.

É a partir desta data, que em Portugal passou a ser autorizado às mulheres o exercício da profissão de advogada e de outras profissões públicas, que desde a viragem do século veio revelar que atualmente o número de mulheres advogadas há muito superou o número de homens.

Mas não se julgue que ser advogada/trabalhadora e mãe é tarefa fácil.

Desde logo pelo papel sociológico que a mãe tem desde sempre, e por se esperar que a mãe esteja sempre lá, desculpando-se sub-repticiamente o pai pela ausência familiar, pois esse sim, tem de trabalhar e a sociedade assim o determina. 

Quer queiramos quer não, a verdade é que a sociedade ainda mantém o recôndito pensamento de que ser mãe é a primordial tarefa da mulher, o que, confesso, até me agrada um pouco, não pela conotação sexista ou pela desigualdade de oportunidades, mas pelo que encerra em si mesmo, a capacidade biológica e emocional de carregarmos em nós a gratificante vantagem de fecundarmos o mundo, educarmos os nossos filhos e assegurarmos a continuidade da espécie humana, com valores intrínsecos que diariamente lhes vamos transmitindo.

Mas já não compreendo o facto de às mães não serem reconhecidas as mesmas oportunidades que aos homens, ou de serem desvalorizadas porque têm filhos e não poderem por isso dedicar tanto tempo à sua profissão.

Apesar do que se diz e do que se escreve a esse respeito, a verdade é que a mulher, em pleno século XXI, para ter oportunidades iguais aos homens nesta profissão, não consegue colocar a família em primeiro lugar.

Cedo me dei conta, de que ser mãe nesta profissão que escolhi abraçar, significava ter de optar, muitas vezes, pelo trabalho em detrimento do meu filho.

Ainda hoje sinto com alguma tristeza, que apenas tive um filho, por opção condicionada ao sucesso na profissão, pois a dedicação exclusiva, o comprometimento e empenho em cada causa que nos confiam, faz com que não tenhamos capacidade para a maternidade na sua plenitude. 

Relembro-vos ainda que aproximadamente cerca de 14 mil advogadas portuguesas, a que se juntam, no âmbito das profissões forenses, pelo menos 1500 solicitadoras, não têm direito a licença de maternidade e aquelas que são mães, suspendem, em média, apenas durante um mês, a sua atividade profissional sem direito a qualquer remuneração, caso não estejam abrangidas pelo regime de proteção da maternidade da Segurança social.

Há ainda um longo caminho a percorrer, para que o mês de maio, e tudo aquilo que representa, não seja apenas uma miragem e uma utopia, e nos permita conciliar, sem remorsos, os papéis de advogadas, mulheres, mães e amigas…

 

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