Gente boa no amargo da vida

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A Rosa

Madalena Palma

A imagem de sempre. A tela branca. O cursor a piscar. Os estagiários ao fundo da sala a formigar em relatórios, a música no volume suficiente para a consolidação de um ambiente saudável. Meia hora para escrever a crónica do Expoente e o telefone a piscar com notificações das redes sociais.

Na minha cabeça uma frase tem espreitado toda a manhã. Não a ouvi. Não a disse. Cresceu por entre os neurónios que têm fervilhado a uma velocidade alucinante. A frase é “as boas compensam as más”.

Refiro-me às pessoas, obviamente. E a frase surge vezes sem conta como forma de ir formatando o cérebro para continuar a acreditar nisso mesmo. Tenho descoberto gente fantástica ao longo dos anos. Tenho aprendido tanto a reconhecer as pessoas. Já passei por momentos em que só me apetece esborrachar cabeças na parede, mas depois surge uma pessoa fascinante, uma conversa superinteressante, uma energia boa, uma amizade que cresce, uma saudade que aperta, um cumprimento genuinamente simpático, uma opinião respeitada, um abraço sentido e a vida apetece.

O que me retira deste alinhamento é apenas uma coisa simples: é a ousadia de me subestimarem. É que retira mesmo. Fico possessa e possuída por um demónio interno que até me muda a cor dos olhos. É nessa altura que ligo ao marido e digo “amor, preciso desabafar” e ele ouve-me estrebuchar, dizer que parto as ventas a alguém e depois fico bem. E depois começo a alinhar e a arrumar em mim, num espaço muito reservado onde guardo as merdas que me fazem e não esqueço. Não me lembro o que almocei, mas dos atropelos que me fazem ou das coisas que me dizem já não me esqueço. E depois, admiram-se que anos mais tarde, quando a vida se encarrega de dar mais uma volta eu aja desta ou daquela forma. Pronto já desabafei esta parte, sigamos.

Gostar de pessoas não é fácil quando nos pregam partidas complicadas que levam anos a superar, mas a vida tem-se encarregado de meter no meu caminho as boas que superam todas as outras. Nisso posso verdadeiramente orgulhar-me. De ter gente boa ao meu redor a caminhar lado a lado. Muitas delas empurram, outras puxam. Eu também o faço e não deixo ninguém cair. Não sou de trato fácil, sei disso, mas sou clara e transparente. Sou o que sou e quem está comigo sabe com o que conta. Por isso me orgulho tanto de fazer parte deste projeto maravilhoso que é o Expoente M, criado por uma mulher extraordinária, que tem dado voz nesta plataforma a mulheres que muito contribuem para um mundo bem mais bonito, saudável e pensante.

Termino orgulhosamente dizendo à minha querida amiga Sónia, muitos parabéns, o dia de hoje é teu. Que sejas muito feliz. Desejo também que nós, os teus amigos, continuemos a ter o privilégio de ter o teu afeto e lucidez.

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