A URGÊNCIA DE AGIR FACE AO PROBLEMA DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

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à primeira segunda do mês

Heloísa Apolónia

As alterações climáticas são um dos maiores desafios que a humanidade atualmente enfrenta. Os seus efeitos fazem-se sentir já um pouco por todo o mundo.

Os relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) têm dado conta, desde os anos 90, de que, se pouco ou nada for feito, o século XXI acolherá amarguras reais resultantes do aumento da temperatura global do Planeta, com um clima mais agressivo e extremo, com o aumento do nível médio da água dos mares, com perda muito significativa de biodiversidade, com a desertificação de solos, resultando na perda de solo útil para a agricultura e, consequentemente,  com repercussões na alimentação humana, e também com a disseminação de doenças hoje mais características dos climas tropicais, entre outras consequências.

O Acordo de Paris, assinado em dezembro de 2015, a vigorar desde 2020, estabelece a urgência de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), de modo a limitar o aumento da temperatura média do Planeta abaixo dos 2ºC, e preferencialmente abaixo dos 1,5ºC, em relação à era pré-industrial. Este acordo global implica um esforço de todos os Estados para o cumprimento destas metas, em particular dos países que mais emitem para a atmosfera os GEE que mais influenciam o processo de alterações climáticas.

O GEE com maior expressão em Portugal é o CO2, o qual representa 76% das emissões totais nacionais. De entre os sectores com principal responsabilidade na emissão de CO2 estão, de forma praticamente equiparada, primeiro a produção/transformação de energia e depois os transportes. No período de 1990 a 2018, os transportes representaram o sector cujas emissões mais aumentaram, tendo registado um crescimento de 8,7% de emissões entre os anos de 2013 e 2018. Esta tendência deve-se, em muito, à utilização do automóvel individual e resulta de uma política desastrosa, de décadas e décadas, de desinvestimento nos transportes públicos, que nos faz hoje ter uma rede de transportes bastante deficitária, face às necessidades das populações.

Para minimizar e contrariar os impactos das alterações climáticas é determinante agir em duas vertentes: 1) mitigar as alterações climáticas, atuando diretamente sobre as causas antropogénicas de fatores que podem acelerar esse processo; 2) adaptar as sociedades e o território às alterações climáticas, erradicando os fatores de maior vulnerabilidade e gerando mais resiliência.

É, por isso, face a tudo o que se sabe e a tudo o que se prevê, inaceitável que se continuem a adiar soluções eficazes para o combate à mudança do clima (como uma boa rede de transportes públicos, designadamente de desenvolvimento do transporte ferroviário que responda às necessidades de mobilidade das populações, como a ligação ferroviária direta de Beja a Lisboa) ou que se continuem a financiar projetos com impactos muito graves no processo de adaptação às alterações climáticas (como é o caso das culturas superintensivas, seja de olival, de amendoal ou outras).

Não temos Planeta B e corremos o risco de deixar esta casa comum impraticável para as gerações vindouras. A responsabilidade de exigir políticas eficazes e consequentes é de todos nós.

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