Com Orgulho!

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Especial

Nádia Mira

Comemorou-se ontem, a 28 de junho, o dia internacional do Orgulho LGBTQI+, que tem como principal objetivo chamar a atenção para a importância do combate à homofobia na construção de uma sociedade mais justa e equalitária.

Desafiada pela Sónia a escrever sobre o tema, deparei-me com inesperadas dificuldades. Não que me seja difícil defender a importância de, simbolicamente, assinalarmos o direito a todas as pessoas existirem sem medos, sem culpas, sem vergonhas ou perseguições ou explicar que a palavra Orgulho é, neste contexto, utilizada como um antónimo de vergonha, que historicamente se tentou associar à comunidade LGBTQI+ como forma de opressão, mas isto do ativismo de teclado nunca me assentou bem.

Por mais que reconheça a relevância da desconstrução de ideias pré-concebidas através da correta contextualização da origem e dos pressupostos subjacentes a este tipo de eventos, a minha capacidade doutrinadora é praticamente inexistente e dificilmente conseguirei colocar a força do Orgulho que trago dentro de mim em contextualizações históricas e/ou em explanações teóricas.

O meu Orgulho pertencerá sempre mais à rua do que ao papel. Nas mesmas ruas onde já fui cobardemente agredida ou insultada apenas por ter uma namorada e não um namorado, é com ele que avanço em cada passo, com a certeza de que, enquanto me acompanhar, não haverá espaço para o temor ou para a vergonha. Dizia a Nina Simone que liberdade é não ter medo, pois eu penso o mesmo sobre o Orgulho.

Sempre o amor será cura e não doença, e podermos ser e amar sem estarmos sujeitos ao preconceito não deveria necessitar de explicações. Lamentavelmente ainda necessita. E, portanto, não é o bastante que cada uma das pessoas LGBTQI+ traga dentro de si este Orgulho, é essencial que exista uma sinergia onde o todo seja maior que a soma das partes.

Foi também isto que sentimos na associação que integro – a Arruaça – que não sendo uma estrutura de matriz LGBTQI+ sempre estará na disposição de lutar contra o preconceito e levantar a bandeira do amor. Porque em última análise é isso que nos move – o amor. O amor pelo outro, independentemente da sua origem, condição social, identidade de género ou orientação sexual e o amor pela nossa cidade, que queremos livre, equalitária, diversa e plural. Decidimos, por isso, organizar o Beja Pride – Levanta a Bandeira do Amor, a ter lugar no dia 3 de julho no Parque Vista Alegre, e criar, finalmente, um espaço de visibilidade LGBTQI+ no Baixo Alentejo, esperando que este seja o primeiro de muitos.

Pessoalmente, seguirei firme no único ativismo que sei fazer, e que passa, apenas, por ser quem sou em todos os momentos de todos os dias, com inabalável determinação e sobretudo… com infinito Orgulho!

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