a senhora que se segue: Leopoldina Pina de Almeida

praiaLeopoldina Pina de Almeida tem 51 anos, é mulher e mãe. Nasceu em Coimbra, mas vive há 28 anos em Beja. É licenciada em Geografia e em Psicologia, com mestrado em Criatividade aplicada à Educação. É professora há mais de 30 anos. Começou por ser professora de Natação, depois de Geografia, de Expressão Dramática, de Escrita Criativa, de Cidadania e Mundo Atual. É como educadora que principalmente se vê, apesar de gostar de muitas outras coisas. Por isso, o que não consegue encaixar na profissão, faz voluntariamente e porque lhe apetece, o que lhe dá uma liberdade enorme de afazeres!

Leopoldina Pina de Almeida é a responsável pelo Projeto Entre Marias, assina a crónica mensal Marias no Expoente M e é a Senhora que se segue.

logoMTem a vida que idealizava?

Sim, tenho. A vida que idealizava na semana passada. Que é completamente diferente da vida que idealizava há 10, 20 ou 30 anos atrás. E gosto mesmo muito disso! Da vida ser um projeto em constante construção, no qual nunca sabemos o que acontece depois da curva da estrada. Até agora tem corrido bem. Mesmo quando acontece qualquer coisa horrível no momento e que passado uns anos consigo ver como uma oportunidade espantosa de crescimento pessoal e que me permitiu tornar-me uma melhor pessoa.

logoMA intervenção/participação na sociedade deve ser uma preocupação de todos? No seu caso como a pratica?

Penso que é essencial. Aliás, acho que essa participação deveria ser incentivada logo a partir de tenra idade. Infelizmente em Portugal ainda não temos esse paradigma. No meu caso, tento praticá-la tanto na minha profissão, já que estou sempre a motivar @s meus/minhas alun@s para serem socialmente interventiv@s, como no restante espaço livre. Ocupo parte do tempo que tenho disponível a criar ou a participar em projetos de intervenção social. Atualmente estou muito centrada no projeto “EntreMarias”, de empoderamento do feminino, mas também estou envolvida com grupos de ativismo local, como o EcoComunidades na Planície, que se dedica mais às causas ambientais. As questões culturais também sempre foram uma prioridade para mim. Coimbra era uma cidade culturalmente muito ativa e eu envolvi-me em muitos projetos logo a partir do secundário. O mais significativo foi o teatro. Fiz teatro universitário e quando cheguei a Beja tentei logo encaixar-me no que se passava e acabei por ser uma das fundadoras da companhia de Teatro Lendias d’Encantar. Também já fiz cooperação internacional em Cabo Verde neste âmbito. Fiz voluntariado na Cáritas, no Hospital de Beja, até num bar…. Enfim, já nem me lembro de tudo. Quando olho para trás acho que não me lembro de ter períodos da minha vida ativa sem participação social.

logoMComo vê a conciliação, atualmente, da vida profissional e familiar/social? Na sua vida existe esse equilíbrio?

Tenho o privilégio de sempre ter trabalhado naquilo que gosto. E de o meu trabalho também ser uma forma de intervenção social. Sou professora numa escola TEIP (Território Educativo de Intervenção Prioritária) e trabalhei durante 13 anos em projetos do Ministério da Educação em que o público alvo eram @s alun@s mais marginalizad@s, em situação de pobreza, abandono escolar ou trabalho infantil. Deste modo, a minha profissão e a intervenção social estão muito articuladas. Em relação à vida familiar, atualmente é mais fácil. A minha filha Leonor já tem 23 anos, e por isso já é praticamente autónoma. Quando era mais pequena, tanto eu como o pai estávamos muito envolvidos com o teatro em Beja. Às vezes era uma correria, mas acho que até foi positivo para ela, porque acabou por crescer num meio bastante estimulante.  Hoje em dia continuo com imensa sorte. O meu atual companheiro é também socialmente muito ativo, partilhamos muitos interesses e preocupações de transformação social e estamos juntos em alguns projetos de ativismo. Motivamo-nos bastante um ao outro, assim como me motivam todos os dias as pessoas que tenho o privilégio de me terem aceitado na sua vida, @s amig@s, @s alun@s. Enfim, acho que só os meus gatos não participam deste movimento ativista e às vezes sentem-se um pouco sozinhos…

logoMJá sentiu que a sua afirmação profissional e/ou pessoal foi dificultada ou condicionada por ser mulher?

A nível profissional, acho que não. Acabo por ser uma privilegiada. O meio educativo é predominantemente feminino. E o facto de ser mulher nunca condicionou as opções que fiz. A nível pessoal, claro! Quando cheguei a Beja em 1993, senti pela primeira vez um ambiente misógino. No entanto, como vinha de um meio menos opressivo, nunca me senti pessoalmente muito incomodada com isso. Mas preocupa-me a forma como algumas raparigas e alguns rapazes desta cidade ainda são educadas, tanta na família como na escola.

logoMO que é preciso para que as mulheres possam ver garantido o seu direito à igualdade? Como podem as mulheres contribuir para essa concretização?

Penso que o fundamental é que elas próprias tenham consciência do importante papel que ocupam e sempre ocuparam na sociedade, a todos os níveis. Sem medos, sem culpas, sem vergonhas. Ninguém lhes está a fazer favor nenhum, ao reconhecer o seu trabalho. Que se olhem com os seus olhos, não através dos olhos opressores da sociedade.

logoMQual é o seu maior sonho?

Neste momento, é continuar a sonhar. Não só quando estou a dormir, mas principalmente quando estou acordada. E de ir tendo energia para concretizar esses sonhos, pelo menos até à próxima “curva na estrada”, porque “aqui há só a estrada antes da curva, e antes da curva há a estrada sem curva nenhuma”. (Alberto Caeiro)

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