“Little darling, it’s been a long cold lonely winter”*

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carrossel dos esquisitos

Ana Ademar

Inundações na Alemanha, 50 graus nos Estados Unidos e Canadá, 35 na Sibéria… é óbvio que algo de errado se passa. Também me parece óbvio que há responsáveis e que a principal é a Greta. Parece-me claro que se a miúda se tem “prantado” quieta na escola como devia, não se falava nas alterações climáticas e isto eram só umas tragédias que aconteciam. Agora, calhando, ainda vamos ter de levar a arauta da desgraça a sério e começar a fazer alguma coisa para nos salvar…

Mesmo que eu fosse uma eremita sem redes sociais ou acesso à internet ou jornais, é óbvio que as autárquicas estão aí. Os truques de “campanha” são os mesmos há décadas e ao contrário do que se passa com o clima, aqui não se esperam alterações… Os eleitores exigem muito pouco, para quê fazer mais?

Os trabalhadores da cultura continuam à rasca: sem trabalho, com apoios miseráveis ou inexistentes há mais de um ano e meio. Valha-nos a empatia e a capacidade de nos solidarizarmos com o próximo como a senhora, que, infelizmente, acha que deve partilhar a sua opinião com o mundo: “Não escolheram a profissão que gostavam? Então agora aguentem-se! Quem é que se pode dar ao luxo de fazer o que gosta?”. Verdade seja dita: é-me difícil desmontar este argumento porque não sei por onde começar. Por essa mesma razão nem começo.

Não cheguei a perceber se o Bolsonaro foi operado ou não. Sei que tinha uma obstipação intestinal. Devo confessar que desta vez, o Bozo conseguiu surpreender-me. Com a quantidade industrial de trampa que lhe sai pela boca, quem é que ia imaginar que ainda havia mais?!

O bicho que nos trocou as voltas à vida e ao tempo, parece decidido a ficar por cá, a mutar-se, a ser resiliente como é moda dizer-se agora. Estamos, novamente a ver o número de infectados a subir. Não há ninguém que fique incólume a isto, seja ficando doente ou pagando as consequências sociais e económicas de confinamentos e restrições.

O calor está aí e ainda que não tenhamos chegado àquela fase de dias seguidos com 40 e muitos graus, para mim é já quanto basta. O calor afecta-me o cérebro e prova disso são os salticos de assunto de parágrafo em parágrafo.

Passou um mês desde a última vez que escrevi por aqui e uma coisa se mantém: o meu aborrecimento. Agregou-se a ele uma necessidade muito grande de criar qualquer coisa. Porque a sensação que tenho é bastante física, convenço-me de que a criatividade está cá dentro a crescer e a afectar-me os órgãos, parece que de tanto se esconder e guardar, solidificou cá dentro, debaixo de alguma miudeza e apesar das dores que provoca, não quer sair. Uma espécie de pedra no rim, mas sem canal urinário próprio.

Talvez a metáfora me tenha fugido da mão… avancemos… até ao mês que vem.

* verso de “Here Comes the Sun” dos The Beatles

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