À espera das Zapatistas

Marias

Leopoldina Pina de Almeida

Este mês de agosto talvez não haja EntreMarias. E não por estarmos em modo de férias, mas porque estamos à espera. À espera de nos encontrarmos com essas mulheres que vêm do outro lado do mar e que tardam em chegar. Vêm para fazer essa viagem ao contrário depois de tantos anos, de tantos séculos. Essa viagem que lhes vais permitir olhar, ouvir e falar com as pessoas do lado de cá que também se sentem nas margens de todo este acelerado extrativismo desumanizante. Pessoas que queiram partilhar histórias, vivencias, pesadelos e sonhos em primeira mão. Não sob os olhares mediáticos e cheio de certezas de quem tudo comenta, tudo afirma, tudo avalia e sobre tudo opina. Ao minuto, a todo o momento, sem hesitar. Muitas vezes sem nunca perguntar. Não, não é esse o caminho desta viagem. O propósito é romper com este mundinho murado, assético e impermeável e estar olhos nos olhos com quem é diferente, mas tem sonhos idênticos. E não tem sido fácil. Ainda mais agora, com todas as seguranças a que este estado pandémico nos obriga, tão convenientes ao que um estado distópico também defende. Por isso aguardamos. Vamos dar tempo, nutrindo esta vontade de encontro com leituras, partilhas, cumplicidades. Bordando pacientemente a nossa espera num colorido tecido que nos une.

Foi já no dia 22 de junho que @s 7 primeiros Zapatistas desembarcaram na Europa, mais precisamente em Vigo. 4 mulheres, 2 homens e 1 outr@, que não se identifica com a visão binária de género. Esperava-se que o resto da comitiva, de cerca de 150 pessoas, aterrasse em Paris no dia 15 de julho. Isto ainda não aconteceu, por vários obstáculos interpostos pelo estado mexicano, relacionados com a atribuição dos passaportes. Mas já se esperava que não iria ser fácil. Nunca é.

http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2021/06/27/a-travessia-pela-vida-para-que-vamos/

Quando finalmente chegarem, a comitiva vai dividir-se por vários pontos da Europa. São inúmeros os convites. Em Portugal vão estar no Alentejo – Odemira, Ferreira e Montemor-o-Novo – e também em Lisboa, Coimbra e Porto. Ao sul há um desejo de partilha das lutas em torno da sobrexploração agrícola, dos migrantes, dos neo-rurais e das suas relações com as comunidades locais, num cenário de intensa transformação das paisagens e do território.

Foi com muito entusiasmo que recebemos o convite da nossa querida Sílvia das Fadas para que o EntreMarias fizesse parte desta Viagem pela Vida. Queremos olhar, escutar, aprender, partilhar com as nossas companheiras do outro lado do mundo, tão diferentes, com outros calendários, geografias e caminhos, mas com a mesma vocação de liberdade e de justiça. E, claro, também queremos rir, cantar e dançar!

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