MAIS DO QUE OS “40 ANOS DE PINTO DA COSTA”, OS 44 ANOS DA LIGA

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Sara Mesquita

O fim-de-semana ficou (negativamente) marcado pelo jogo entre FCPorto e Sporting CP.

No plano de jogo, foram muitos os erros de arbitragem e o (recorrente) pouco tempo útil de jogo;

No plano do espetáculo desportivo, a violência que se fez sentir no final do jogo, não só entre jogadores e respetivas equipas técnicas, como também com a intervenção de pessoas externas ao campo que estavam, alegadamente, a auxiliar na organização do espetáculo desportivo, credenciadas pela Liga, marcou este encontro.

A conclusão é simples: tudo está mal no futebol profissional português e tudo corre mal.

No final do jogo, o Presidente do atual campeão nacional manifestou o seu descontentamento com o ambiente que se viveu durante e no final do jogo, afirmando mesmo que o que aconteceu é resultado dos 40 anos de Pinto da Costa no futebol.

Na verdade, acho que mais do que os 40 anos de Pinto da Costa, este é o resultado dos 44 anos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).

Admitindo a quota-parte de responsabilidade de Pinto da Costa, mas não lhe dando a responsabilidade total nem todo esse protagonismo, teremos de concluir que a responsabilidade é de TODOS!

E por “todos” deve entender-se todos os clubes associados da LPFP (tendo, inclusive, Pinto da Costa sido Presidente desta entre 1995 e 1996).

Ora, a LPFP tem como Valores a Credibilidade, a Agregação, o Talento e o Espetáculo, e como Visão “assumir-se como uma das mais importantes Ligas da Europa, estando permanentemente na senda das boas práticas internacionais, valorizando económica e desportivamente o Futebol Profissional.”.

No que aos valores respeita, estes têm sido permanentemente colocados em causa nas competições organizadas pela LPFP.

Não se estranha que assim seja, uma vez que são os próprios associados que têm a última palavra (em Assembleia Geral) sobre a aprovação dos respetivos regulamentos, cuja redação é, em muitos casos, propositadamente ambígua e de aplicação meramente utópica.

Por outro lado, e pretendendo a LPFP “assumir-se como uma das mais importantes Ligas da Europa”, tem de adotar uma postura de exigência, transparência e superioridade em relação aos seus associados, por forma a que estes sintam que devem o máximo respeito à associação e não, que poderão ficar impunes de quaisquer atos que pratiquem, pois sabem que as consequências serão diminutas.

Apesar dos valores, da missão e da visão que a LPFP evoca, a verdade é só uma: somos das piores Ligas Europeias em termos de tempo útil de jogo e também das que contabiliza mais faltas por jogo.

Não se deve só à arbitragem, mas também a todos os agentes desportivos envolvidos e, como não podia deixar de ser: à associação organizadora das competições.

Enquanto os regulamentos continuarem a ser contornados e os responsáveis não forem devidamente punidos, o futebol português continuará a ser podre.

Continuaram a ser apontados os dedos aos jogadores e equipas técnicas que não são mais do que o espelho do sistema. Não é “isto” que eles são, é “isto” que fazem deles! E isso é visível quando um jogador é transferido para outro campeonato, em que o comportamento dele em campo também muda.

E não muda taticamente, porque essas qualidades mantêm-se e, em regra, melhoram. Muda na sua postura com o adversário, com a estrutura, com os adeptos.

Só aplicando os bons exemplos de outras Ligas, conseguiremos ter um futebol melhor, uma estrutura melhor e um verdadeiro espetáculo desportivo.

Até lá, continuaremos a ser grandes no talento e pequenos no espetáculo.

Continuaremos a ser o espelho da “chica-espertice” e não passaremos “disto”!

É chegada a altura de virar a página.

De sermos os melhores, porque podemos ser os melhores.

De termos a competição que todos gostavam de ter.

De termos as boas práticas que resultam em bom futebol, em bons resultados, em boa situação financeira.

Como em tudo, menos no dicionário, o sucesso só vem depois do trabalho.

Por isso, trabalhemos para um futebol melhor e para uma Liga que não se esconde atrás das poucas competências que, alegadamente, tem, para não cumprir a sua visão e os seus valores.

E esperemos que episódios como os de sexta-feira não se voltem a repetir!

Mulheres com garra lutam com valores e sem violência!!

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