Sim, ainda o covid.

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A Rosa

Madalena Palma

“Esta é semana de Rosa”.

Assim que recebo esta mensagem logo me pergunto, e esta semana escrevo sobre o quê?

Vem-me tudo à cabeça mas o que mais me ocupa presentemente é a porcaria do covid. Nunca me refiro à merda do vírus sem lhe colocar um impropério antes ou depois. Que neste texto, até ao momento, até foram bastante suaves.

Deixei aqui há pouco mais de um ano um pequeno relato do que passei nas suas mãos quando a variante ainda era a delta e os números eram bem mais assustadores do que são atualmente. De uma forma ou de outra, temos aprendido a lidar com ele mas o sacana mudou-me. Mudou-me a voz, a gargalhada, o folego, carregou peso no corpo e na alma, fez-me os passos mais curtos e as escadas mais longas, fez-me sentir os joelhos como nunca antes, abracei uma respiração ruidosa e adotei uma palavra em que penso diariamente que é “cansaço”. Esse é já o estado normal. Não me impede de ser funcional, mas impede-me de, por exemplo, ir ao ginásio porque não consigo estar perto de muita gente, principalmente que não estão paradas num determinado espaço. Impede-me de dormir uma noite seguida, de ter ânimo e energia para algumas aventuras e assumi uma vida mais resguardada no meu canto. Por vários motivos: por ter medo de o apanhar novamente, mas não sou escrava da máscara tanto mais que nem consigo respirar e muito menos falar com ela; por me sentir sufocada com a presença de muitas pessoas e principalmente pelo permanente cansaço no corpo. Há dias comentava que quando apanhei o sacana até o sentia na pele, bem junto aos ossos como se se movesse. Foi a sensação mais estranha que alguma vez senti sem a conseguir explicar e não consigo por mais que tente.
E agora veio o “covid persistente” com uma bateria imensa de exames a confirmar que o cabrão não há meio de me largar. Nem o covid nem o olhar condescendente de quem comigo se cruza e me nota diferente. Sim estou mas sou a mesma pessoa. A cabeça a mil à hora e a lidar com a ansiedade de não ter (ainda) um corpo que a acompanhasse. É só mais uma coisa para ultrapassar mas que graça tem a vida se não tivermos coisas para ultrapassar? O psicológico é que não precisava de estar tão ao nível do subsolo também mas de resto tudo bem.

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