Não calar

idos de março

Sónia Calvário

A guerra na Europa fez relegar para segundíssimo plano a preocupação com a Covid. Dois anos de pandemia em Portugal, a expectativa do regresso à normalidade foi defraudada pelo início de um conflito bélico e da ascensão dos autodenominados defensores da paz e dos mais desprotegidos. Muitos deles que consideram legitima a agressão de Will Smith ao colega de profissão Chris Rock, na sequência de uma piada sobre a sua mulher; muitos que nunca levantaram a voz para proteger milhares de vítimas de guerras e conflitos que ocorrem por todo o planeta, e que estão na origem, ou do exponencial agravamento, de situações de pobreza extrema, que atingem principalmente crianças e mulheres.

Não, não vai ficar tudo bem. Continua a adoecer-se de Covid, e a morrer-se de e por causa da Covid. A agressividade e a violência são legitimadas, sob vários pretextos. Os custos da pandemia e da guerra serão grandes. E de forma desigual.

Vale a pena referir alguns números, divulgados pela ONU, no Dia Internacional da Mulher, sob o lema do desenvolvimento sustentável: «70% dos 1,3 bilhão de pessoas que vivem em condições de pobreza são mulheres. Nas áreas urbanas, 40% das famílias mais pobres são chefiadas por mulheres. As mulheres são responsáveis por entre 50% e 80% da produção de alimento mundial, mas possuem menos de 10% das propriedades. No que respeita à presença feminina em cargos políticos pelo mundo, as mulheres ocupam apenas 25,5%, e o número cai para 21% em cargos ministeriais e, no executivo, elas representam apenas 5,9% dos Chefes de Estado e 6,7% de primeiros-ministros».

Em Portugal foi empossado o XXIII governo constitucional: metade dos ministérios foi atribuída a mulheres, se contarmos com o Primeiro Ministro. Das 38 Secretarias de Estado apenas 12 são chefiadas por mulheres. Um retrocesso. Mais um.

Todos e todas declararam que honrarão os cargos que lhes foram confiados. E isto leva-me a outra questão: a dança das cadeiras, mesmo mantendo-se a cor política no governo, e a incompetência e a falta de caráter que crassa em muitos lugares da administração pública, mas também noutras instituições financiadas por dinheiros públicos, ou altamente subsidiadas com o dinheiro dos contribuintes.

Sobre isto falarei em tempos próximos.

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